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Rachel de Queiroz e a conquista da imortalidade literária

Almanaque Cuyabá ·

Raquel de Queiroz ocupou a Cadeira nº 5, cujo patrono é o escritor Bernardo Guimarães. Foi a quinta ocupante da cadeira/DIVULGAÇÃO

Em 4 de novembro de 1977, a literatura brasileira entrou para a história com uma conquista inédita: pela primeira vez, uma mulher foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição tradicionalmente ocupada por homens desde sua fundação, em 1897. A escolhida foi a escritora cearense Rachel de Queiroz, uma das mais importantes romancistas do país.

A eleição representou um marco na história cultural brasileira e abriu caminho para uma participação feminina mais expressiva no universo das letras nacionais.

Nascida em Fortaleza, em 1910, Rachel já havia conquistado reconhecimento nacional em 1930, com a publicação de O Quinze, romance que retrata os dramas humanos provocados pela grande seca de 1915 no Nordeste. A obra tornou-se um clássico da literatura brasileira e revelou seu talento para abordar questões sociais com realismo, sensibilidade e linguagem marcante.

Jornalista, cronista, dramaturga e tradutora, Rachel construiu uma carreira de grande relevância, com títulos como As Três Marias, Dôra, Doralina e Memorial de Maria Moura. Ao assumir a Cadeira nº 5 da ABL, tornou-se pioneira em uma instituição que, durante oito décadas, não havia admitido mulheres entre seus integrantes.

Sua posse, em 4 de novembro de 1977, não foi apenas uma consagração literária, mas também um acontecimento simbólico na luta pelo reconhecimento da capacidade intelectual feminina. Rachel de Queiroz abriu uma porta que permaneceria aberta para as gerações seguintes de escritoras brasileiras.

MINIBIO

Rachel de Queiroz foi escritora, jornalista, tradutora e dramaturga, nascida em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910. Ganhou projeção nacional aos 20 anos, com O Quinze (1930), romance inspirado na seca nordestina de 1915. Entre suas principais obras estão João Miguel, As Três Marias e Memorial de Maria Moura. Recebeu o Prêmio Camões em 1993. Em 1977, tornou-se a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a Cadeira nº 5, cujo patrono é Bernardo Guimarães, como sua quinta integrante. Faleceu no Rio de Janeiro, em 4 de novembro de 2003.

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