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Dia das Comunicações – Dia da mídia

por Onofre Ribeiro

Um homenzinho moreno, com feições de pantaneiro, nascido em 1865 na localidade de Mimoso, município de Santo Antônio de Leverger. Naquela época Mimoso nem sequer fazia registro no mapa. Como, aliás, o próprio Mato Grosso pouco representava na cartografia.

Cândido Mariano da Silva Rondon, abriu picadas, estendeu fios telegráficos, fez medições de terra, fez mapas, deu feição geográfica a Mato Grosso, estudou a geografia e até a botânica.

Mas foi no campo das comunicações, da telegrafia que sua história pessoal se firmou.

Hoje o telégrafo está no museu. Mas a nação existe e deve muito da sua existência ao telégrafo.

Hoje é a mídia quem gerencia as comunicações. Um conceito muito mais amplo do que aqueles simplórios postes de aroeira com um fio em cima ao longo de léguas e léguas de sertão.

Mas o conteúdo do bip-bip do código morse continha a mesma coisa que hoje a mídia utiliza para dominar o mundo: a informação. Hoje comunicação é sinônimo de mídia, que é sinônimo de informação.

A informação que um dia foi classificada como “quem detém a informação gerencia o processo”, domina completamente os passos humanos.

É tão abrangente e tão surpreendente o poder das comunicações

pela sofisticação das informações modernas que o exemplo seguinte dá uma pálida idéia.

Há dois anos o deputado Jonas Pinheiro me contava surpreso que ao visitar o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (o ministério da Agricultura deles) como convidado, ficou assustado quando um técnico puxou no computador a imagem de uma plantação no Brasil que o satélite fotografava naquele instante e mostrava a imagem a uma distância de 20 metros.

Nitidez total. Quer dizer, eles sabem com absoluta exatidão a informação da área plantada, do tipo de cultura praticada em qualquer região do Brasil e do mundo e, pior, podem comparar com a do ano passado e dos anos anteriores e, prever preços, etc.
Esse é o mundo das informações. É com essa matéria prima que a mídia lida.

A informação é considerada o bem de consumo mais valioso da sociedade moderna. Até recentemente os governos usavam a informação na política pelo seu lado mais antipático: o da repressão e da sonegação da informação desfavorável, em favor da informação positiva, entendida como a bajulatória.

A mídia é sábia. Conhece a natureza da mercadoria que tem em mãos e sabe que ela pode mudar o comportamento da sociedade.
Na história brasileira primeira mídia foi impressa. Jornais venenosos, altamente emocionais e de cores políticas fortíssimas varejavam as tendências pró e contra tudo. O rádio só veio surgir na década de 30 e dominou com igual força que domina hoje a televisão determinados segmentos. O rádio chegou a integrar o Brasil como nação, já que era um amontoado de regionalidades e deu-lhe uma feição nacional.

No começo da década de 50 surge a televisão que encontra um rádio poderoso e alguns jornais muito influentes junto à sociedade formadora da opinião pública.

O rádio perde para a televisão os seus gênios. A televisão os consome rapidamente e na medida em que foram morrendo ou se aposentando, substituídos por uma nova geração. O rádio ficou na perda e só agora nasce uma geração do rádio, capaz de elevar o veículo a um papel moderno e influente numa sociedade complexa e segmentada.

Revistas de informação geral, como Cruzeiro, Realidade, ocuparam grandes espaços nas décadas de 50, a primeira é de 60 a segunda, seguidas da segmentação do mercado, e do surgimento de outros meios de comunicação e de uma técnica arrasadora, a publicidade.

Nos próximos dias esta coluna pretende fazer uma avaliação ampla e detalhada do fenômeno mídia, num estado onde ela ainda não é a estrela da: primeira grandeza, mas não poderá dela se esconder.

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