O Butiquim do Dirceu

por Gabriel Novis Neves

Recente pesquisa nos informa que Belo Horizonte é a capital brasileira que possui o maior número de botecos. Em segundo lugar, reclamando muito da sua colocação, vem o Rio de Janeiro. Em Cuiabá o número de botecos é relativamente pequeno. Em compensação temos o butiquim – atenção revisão, é assim mesmo que se escreve – do Dirceu Carlino.

Há diferenças estruturais e filosóficas entre boteco e butiquim.
O boteco geralmente possui uma pequena área física e os seus freqüentadores amontoam-se como podem criando a maravilha da promiscuidade. As conversas jamais são reservadas pela total impossibilidade da privacidade. Sardinhas, linguicinhas fritas, bolinhos de bacalhau (tudo com muito óleo), pimenta, conversas em altos decibéis e ela: a super redondinha gelada. Ah! Ia me esquecendo do ovo cozido de casca colorida. Cadeiras e mesas são uma raridade e o grosso do público se ajeita mesmo é nos caixotes de madeira ou utilizando-se do balcão de atendimento como mesa.

O butiquim do Dirceu é diferente. Amplo, com mesas e cadeiras que permitem conversas tipo juras de amor perpétuo. No boteco o som é produzido pelo cantar de alguns freqüentadores acompanhados pelo ritmo dos caixotes, caixas de fósforo, chaveiros e batidas das latinhas. No butiquim do Dirceu os artistas da cidade passam por lá e, com um excelente sistema de som, dão a sua canja. O ambiente não é propício a mauricinhos, patricinhas, novos ricos ou carentes de notoriedade. A comida é excelente para quem está decidido a comer. O bolinho de bacalhau pequeno e gorduroso do boteco, no butiquim do Dirceu é uma enorme bola de batata com essência de bacalhau. Uma delícia de petisco! E não aumenta o colesterol. No butiquim do Dirceu não existe distinção de classes sociais. Ali somos todos iguais. E olhe, no período que estive por lá vi muitas celebridades totalmente despojadas daqueles valores desnecessários. Outro ponto forte do butiquim: ausência do bêbado inconveniente e do puxa-saco.  Enfim, vale à pena – se você ainda não conhece – conferir o butiquim do Dirceu. (foto ilustrativa).

postado por Gabriel Novis Neves, em 2010

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