Porque amo Cuiabá

por Gabriel Novis Neves

É a cidade onde nasci e fui educado. Deixei-a aos dezessete anos para continuar os estudos. Naquela época Cuiabá só tinha educação até ao ensino médio. Não fui um voluntário para o Rio de Janeiro, mas, atendi aos apelos sábios dos meus pais. Permaneci doze anos afastado da cidade. Perdi muitas amizades da infância. Retornei médico e casado. A luta era pela sobrevivência da nova família.

Hoje sei que acertei na escolha de voltar. Aqui com certeza deixo um legado: a minha mulher – descansando na Piedade, três filhos cuiabanos, cinco netas, um neto,
genro e noras.

Sou um provinciano que nunca teve preconceitos em se identificar assim. Participei ativamente dos projetos de promoção humana na minha querida Cuiabá e no Estado. O meu maior prazer hoje é ficar em casa. A minha cidadezinha cresceu e, mentes desinformadas a transformaram em uma “coisa”.

O puro e o romântico, como o nosso linguajar, foram substituídos. Perdemos a sonoridade musical da comunicação. O que ouço hoje são cuiabanos falando com “sotaques” paulista-italianos, cariocas de favelas e o gaúchês. Os nossos valores foram considerados pela “modernidade” como moedas podres.

Quanta ignorância Meu Deus! Cuiabá é uma cidade de característica única. Nomes de personalidades cuiabanas, mundialmente consagradas, aqui não são reconhecidos. Rondon, um dos cinco maiores andarilhos do mundo, aqui é Cândido Mariano. Ninguém ou pouca gente sabe que o primeiro presidente republicano do Brasil – Marechal Deodoro da Fonseca – casou-se em Cuiabá, com uma moça que não amava para salvar a honra da sua cunhada casada.

Cuiabá é uma cidade linda e agarrativa na poesia de Gervásio Leite. É uma cidade gostosa, que homenageia os seus ilustres cidadãos e coloca na Placa Comemorativa só o nome das autoridades. Ninguém sabe quem é o homenageado com o busto ou com a escultura como aquela da entrada da Universidade Federal.

Cuiabá é linda e tem que ser amada pelo seu povo porque é assim.

postado por Gabriel Novis Neves, em 2010

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