1719-1730

Discorrer sobre os principais fatos e acontecimentos que marcaram o início da história de Cuiabá nos obriga não somente citar,  mas também descrever a vida daquele que os registros históricos apontam como o fundador de Cuiabá. Ele mesmo,  Pascoal Moreira Cabral:

1654 – Nascimento do fundador de Cuiabá
Nasce na vila de Sorocaba, então capitania de São Vicente, aquele que mais tarde viria ser o fundador de Cuiabá, Pascoal Moreira Cabral, filho de minerador e coronel de mesmo nome com dona Mariana Leme.


1673 – Chegada dos bandeirantes
Os bandeirantes paulistas Manoel de Campos Bicudo e Bartolomeu Bueno da Silva, entre 1673 e 1682, subiram o rio Cuiabá até a sua confluência com o rio Coxipó-Mirim, onde acamparam num local por eles denominado de São Gonçalo.
1682 – Pascoal Moreira Cabral dedicou-se ao sertanismo preador de índio. Era cabo da bandeira capitaneada pelo parente, André Zunega, que permaneceu nos sertões caçando índios, erguendo trincheiras e plantando roças de subsistência.


1682-1692 – Herdeiros
Foi nesse período que ganhou dois filhos, provavelmente, descendentes de uma índia. Oficialmente, casou-se em 1692, na cidade de Itu, com a paraibana Isabel Siqueira Cortes, com quem teve 4 filhos, sendo que o primogênito, que lhe herdou o nome, acabou morrendo, em pleno sertão, no ano de 1722, vítima de ataque índígena.


1699 – Cabral e terras paranaenses
Pascoal Moreira Cabral se aventura a capitanear uma bandeira na região de Curitiba-PR.


1716 – Em Miranda, hoje, cidade sul-matogrossense
Segue novamente para a região de Miranda-MS, onde passou dois anos em incursões de aprisionamento de índios. Dois anos depois, terminou subindo o rio Paraguai.


1717 – São Gonçalo
Seguindo o mesmo caminho do seu pai, António Pires de Campos chegou ao mesmo local, rebatizando-o de São Gonçalo Velho.


1718 – Busca de índios
Paralelamente à extração do ouro, os bandeirantes paulistas continuaram na busca de índios, que, segundo eles, abundava nos sertões brasileiros: Foi em seu encalço que as expedições de Antônio Pires de Campos, seguida da de Pascoal Moreira Cabral, atingiram terras que pertenceriam, mais tarde, a Mato Grosso.


1719 – Esquadra x Silvícolas
A bandeira de Pascoal Moreira Cabral travou violenta guerra com os índios, na qual foram perdidos muitos homens, de lado a lado. Depois de serem socorridos por outra bandeira capitaneada pelos irmãos Antunes Maciel. Logo após uma das refeições, alguns integrantes, lavando os pratos no rio, encontraram, casualmente, pepitas de ouro. Estavam descobertas as minas em território mato-grossense. Pascoal Moreira Cabral envia o comunicado do novo achado à Coroa Portuguesa.


1719 – Ata de Fundação de Cuiabá
Para efeito de registro histórico desse primeiro período, o governador da Capitania de São Paulo solicitou que fosse confeccionada uma Ata de Fundação do descobrimento dessas novas minas que, mesmo tendo sido redigida em 1719 – ainda sequer existia – valeu como documento fundador das minas mato-grossenses. No entanto, em 8 de abril de 1719, garantiu-se, pois, os direitos da descoberta à Capitania de São Paulo. (Elizabeth Madureira Siqueira)


1720 – Forquilha
O arraial da Forquilha localizava-se na confluência de dois ribeirões, que, ao juntar-se, davam continuidade ao rio Coxipó. Daí a origem do nome. Forquilha teve vida efêmera. Manteve-se como principal arraial das minas cuiabanas por apenas um ano e meio, até a descoberta das Lavras do Sutil, quando entrou em plena decadência.
O bandeirante Antonio de Almeida Lara esteve em Forquilha explorando o rio Coxipó neste mesmo ano.


1720 – Igreja Nossa Senhora da Penha de França
No fim deste ano chegaram ao arraial e lugar chamado São Gonçalo Velho rumo ao Coxipó acima, no lugar chamado Forquilha, aonde formaram arraial e levantaram igreja com o título de Nossa Senhora da Penha de França, local que o padre Jerônimo Botelho rezou a primeira missa, ficando a segunda a cargo do padre André dos Santos Queiroz.


1721 – Miguel Sutil
Outro sorocabano, Miguel Sutil de Oliveira, tendo descido o rio Coxipó para o rio Cuiabá, onde havia plantado roça, enviou dois índios – a que José Barbosa de Sá, primeiro cronista de Cuiabá, denominou de escravos, “negros da terra” – buscar mel. No retorno, ao invés do doce alimento, trouxeram pepitas de ouro. Estava descoberta a terceira jazida aurífera mato-grossense, desta vez situada no leito do córrego da Prainha, tributário do rio Cuiabá.


1721-1722 – Pontapé ao povoamento
A notícia do ‘achamento’ aurífero fez com que grande parte dos habitantes da Forquilha e até mesmo do Arraial de São Gonçalo Velho passassem a minerar no córrego da Prainha, fato que deu pontapé inicial ao povoamento de um pequeno vilarejo, sob a proteção do senhor bom Jesus.


1722 – Capela de pau-a-pique
Ano de construção da capela de pau-a-pique, onde hoje está edificada a Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá


1723  – Cabral se torna Guarda-mor
Para organizar o primeiro arraial, cobrar os impostos em nome da Coroa portuguesa e estabelecer a justiça, os mineiros aclamaram, como Guarda-mor, Pascoal Moreira Cabral, que, inicialmente, ficou à frente dos trabalhos administrativos e fiscais. Sua nomeação oficial, dada pelo Capitão-General da Capitania de São Paulo – da qual essas novas minas faziam parte – só ocorreu a 26 de abril de 1723. Os primeiros quintos de ouro que nestas minas se cobraram para El-Rei foram os que arrecadou Paschoal Moreira Cabral, desde que se começou a minerar até este ano.


1724 – Início da decadência de Cabral
Mediante a garantia de que as minas cuiabanas já eram uma notória realidade, o capitão-general e governador de São Paulo nomeou, para o cargo de Superintendente Geral das Minas, João Antunes Maciel, e para o cargo de Capitão-mor regente, Fernão Dias Falcão, pessoas de sua mais absoluta confiança.


1725 – Notícia se espalha e as  minas superlotam de gente
Com a notícia do novo achado (ouro), veio gente de toda parte pra estas minas.


1726 – Persona non grata
Chegada do general Rodrigo Cézar de Menezes


1726 – Primeiro mestre de campo
É nomeado em 3 de novembro, o primeiro mestre de campo de Cuiabá, Antão Leme da Silva, natural de Itu, filho de Pedro Leme da Silva, denominado o Torto, e de dona Domingas Gonçalves. Depois da carta régia de 29 de outubro de 1749, os mestres de campo ficaram com a denominação de coronéis.


1726 – Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho
Capela citada em documento datado e 1726, foi substituída em 1918 pela igreja neogótica projetada e construída pelo franciscano francês Ambrósio Daidé, inspirado nas grandes catedrais góticas francesas. Localiza-se ao lado do Seminário da Conceição, construído em 1858. Juntamente com este, a igreja é tombada em nível estadual.


1727 – Pelourinho na Praça da Mandioca
No princípio de janeiro deste ano mandou o general levantar Pelourinho nesta Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuyabá. Tomou para Casas da Câmara, as que se achavam no canto chamado do Sebo com os fundos para o Corrego (Praça da Mandioca) e passou a cobrar arbitrariamente, quem quer que fosse, as oitavas de ouro através de ordenança dada ao capitão-mor Jacinto Barboza Lopes, provedor da Real Fazenda.


1727 – Arraial se torna Vila
Elevação do arraial de Cuiabá à categoria de Vila, a 1º de janeiro deste ano, pelo capitão-general da Capitania de São Paulo, à qual a Vila estava subordinada, Rodrigo César de Menezes


1727 – População
Demografia do município e cidade de Cuiabá apresenta um total de 3 mil habitantes neste ano


1728 – Saída de Cezar de Menezes das minas
Depois de ter saqueado o povoado, o general Cezar de Menezes foi promovido para o Governo de Angolla, mas antes, exigiu lhe lisonjear e felicitar lhe graças. Em setembro segue viagem para o povoado e conduzir o Governo Militar, o brigadeiro Antonio de Almeida Lara, e por Ouvidor Rodrigo Bicudo.


1729 – Imagem do Senhor Bom Jesus
Neste ano se expediu por mandado do Senado da Câmara, e pessoas principais a buscar a venerável Imagem do Senhor Bom Jesus, que estava no Sítio de Camapuã. Foi esta Imagem fabricada na Villa de Sorocaba por mãos de uma mulher.


1730 – Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
Segundo Barboza de Sá, historiador dos primeiros tempos da cidade, “levantarão os pretos huma capelinha a San Bendito junto ao lugar chamado despois rua do cebo, que dahy a poucos anos cahio e não se levantou mais”. Outra referência documentada pelo historiador relata que no ano de 1754 o padre José Ayres deixou fixada na porta excomunhão a todos que o perseguiam após retirar-se para Goiás. No livro Cenbtro Histórico de Cuiabá (Iphan/Claudio Quoos Conte, Marcus Vinícius de Lamonica Freire), editado pela Entrelinhas, cita que é provável que a construção da Igreja Nossa senhora do Rosário e São Benedito seja da década de 1730.


1730 – Morte do fundador de Cuiabá
Pascoal Moreira Cabral viveu nas minas de Cuiabá por muitos anos. Já velho, pobre e tratado quase como indigente, retirou-se para a primeira localidade onde ocorrera o primitivo achado aurífero, o Arraial Velho, às margens do rio Coxipó. Faleceu em 1730, aos 76 anos de idade. O seu corpo, como admitem, foi sepultado na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, em Cuiabá.

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