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JK, Jango, Jânio e Collor

por Onofre Ribeiro

Em 1961, no dia 24 o presidente Jânio Quadros, um produto pronto e acabado resultante das consequências pós-morte de Getúlio, renunciava à presidência, apesar de ter sido a ele, levado por mais de 5 milhões de votos, num colégio eleitoral brasileiro próximo de 15 milhões.

Em 1976 no domingo dia 23, morria em acidente de automóvel o ex-presidente Juscelino Kubitschek, outro presidente do mesmo ciclo pós-getulismo. Por essas e outras é que agosto é tido como um mês azarento.

Mas dado o espaço de tempo decorrido desde a morte de Getúlio e a criação da Petrobrás – também no dia 24, em 1953, encerrando um momento de discussão nacional em torno do “petróleo é nosso” – o Brasil revolucionou-se sob mais uma forma. Hoje, quando o País está em vias de abrir as suas portas para o mundo, em vias de negociar com alguma honra possível a sua dívida externa, quando a mentalidade cartorial de administração pública começa a ceder lugar para algum modernismo, é preciso voltarmos à década de 50 para entendermos o Brasil de amanhã que parece se avizinhar no horizonte.

Eleito em 1951, Vargas toma posse em 1952 para governar o Brasil até 1º de janeiro de 1956. Coagido pelas pressões políticas urbanas (um fenômeno novo na vida brasileira), e pelo descontentamento dos militares ideológicos, ele se suicidou abrindo uma brecha na vida do País.

Sucedido em dois anos por quatro presidentes até a posse de JK, este recebeu um Brasil convulsionado e só tomou posse depois de vencer dois levantes militares, um em Jacareacanga, no Pará, e outro em Aragarças – Barra do Garças. Entre crises, mas com a habilidade mineira, JK governou e saiu da presidência com péssima imagem. Perdeu a eleição de seu sucessor para um temperamental político paulista de carreira meteórica, Jânio Quadros, cujo destempero levou-o (e dizem que também o álcool), à renúncia. Substituído em meio a uma crise de governo pelo seu vice João. Goulart, este assumiu não mais presidencialista, mas parlamentarista, pela força militar, dadas suas possíveis simpatias com o socialismo. Derrubado por uma onda golpista em toda a América Latina, o Brasil viu Goulart substituído por um marechal, Humberto de Alencar Castello Branco.

O resto da história é conhecido. Passa por Tancredo Neves e por José Sarney até chegar a Collor de Mello.

O que tem a ver esse retrospecto histórico com o 24 de agosto de 1990? Tudo e nada. Só que estamos de novo diante de um quadro político de crescente polarização, desta vez somente civil. Confrontado pelo sindicalismo político-independente e não mais pelo rançoso peleguismo getulista, o governo Collor está diante de sua segunda encruzilhada a primeira foi a implantação do seu plano econômico.

De qualquer forma, eventuais consequências desse confronto, só virão para o agosto de 1991. O de 1990 está passando sem arranhões maiores mas, há um merece destaque especial: o enfarte do líder sindical Luis Antônio de Medeiros, uma força moderada no deserto radical. Mas essas consequências não se pode medir hoje. O que de fato nos resta são as lições de 1953, 1954 e de 1961.

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