Em nome da fé, vidas foram perseguidas, sentenças foram proferidas e destinos terminaram na fogueira. Entre os episódios mais sombrios da Inquisição portuguesa está o de Gabriel Malagrida, padre jesuíta italiano que dedicou anos à missão religiosa no Brasil e se tornou o último condenado à morte pelo tribunal inquisitorial português.
Conhecido como o “padre das barbas brancas”, Malagrida ganhou notoriedade ao atribuir o devastador terremoto de Lisboa, em 1755, a um castigo divino, contrariando as explicações que apontavam causas naturais. Em meio aos conflitos com o marquês de Pombal e às acusações que pesavam contra ele, acabou preso e condenado por heresia. Em 20 de setembro de 1761, foi apresentado em auto de fé; no dia seguinte, morreu garroteado, teve o corpo queimado e as cinzas lançadas ao rio.
Outro nome célebre a sucumbir à Inquisição foi o escritor e dramaturgo luso-brasileiro Antônio José da Silva, conhecido como O Judeu. Nascido no Rio de Janeiro, descendente de cristãos-novos, foi executado em Lisboa em 19 de outubro de 1739. Sua trajetória, marcada pela produção teatral e pela perseguição religiosa, permanece como símbolo da intolerância de uma época em que ideias, crenças e origens podiam custar a própria vida.


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