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Almanaque Cuyabá

Almanaque Cuyabá

O Almanaque Cuyabá é um verdadeiro armazém da memória cuiabana, capaz de promover uma viagem pela história em temas como música, artes, literatura, dramaturgia, fatos inusitados e curiosidades de Mato Grosso. Marcam presença as personalidades que moldaram a cara da cultura local.

Memória UrbanaSímbolos Urbanos

Monumento Maria Taquara

by Almanaque Cuyabá 30 de novembro de 2022
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Há aproximadamente 30 anos Cuiabá ganhava a escultura de uma das personagens femininas mais inesquecíveis de sua história.  Pelas mãos do artista plástico Haroldo Tenuta, Maria Taquara, representada em bronze, era fixada na praça que leva seu nome, no centro da Capital. Pesquisadores divergem quanto à origem do apelido da lavadeira. Uma das teorias o relaciona à sua altura e magreza.

Famosa por desafiar os padrões sociais da época, Maria Taquara foi, possivelmente, a primeira mulher a usar uma calça comprida em Cuiabá. Embora sua história seja incerta, relatos dão conta de que, para além da rotina de lavar roupas, era também motivo da punição de soldados do 16º Batalhão de Caçadores, que pulavam o muro do quartel para encontrar com a mulher num barracão aos fundos.

Francisco das Chagas, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, narra um curioso episódio envolvendo Maria. Segundo ele, Maria, como era costume entre as mulheres da época, usava saias até que, em um dia de forte vendaval, foi surpreendida pelos ventos que ergueram sua saia, expondo o que estava por baixo. Um cuiabano, prontamente, veio em seu auxílio e lhe ofereceu uma calça para vestir, livrando-a do constrangimento. A partir daquele dia, Maria abandonou as saias e adotou as calças como traje permanente, uma escolha que desafiava as convenções de seu tempo e que acabou imortalizada como parte de sua história. Seu nome também pode estar associado ao local onde residiu antes de se estabelecer em Cuiabá, um pequeno vilarejo chamado Taquaral.

Entre as décadas de 30 e 40, sua família, oriunda da zona rural de Nossa Senhora do Livramento. Quando o pai morreu, a mãe se mudou com ela e uma irmã para Cuiabá, mas não se adaptaram à cidade. Maria Taquara, contudo, começou a construir um casebre de pau a pique com dois cômodos e resolveu ficar na capital, sozinha. Foi restaurada por Fred Fogaça em 2009 e, mais recentemente, em 2019.

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Memória UrbanaSímbolos Urbanos

Chafariz do Mundéu

by Almanaque Cuyabá 30 de novembro de 2022
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O Chafariz foi construído em 1871 para serventia pública, por ordem do presidente da província Dr. Francisco José Cardoso Júnior. Era alimentado por um aqueduto que para ele canalizava a água de um reservatório que nasce nas cercanias da Santa Casa de Misericórdia, captando os filetes das nascentes do Córrego “Maranhão” e, constituindo assim, umas das mais antigas fontes de abastecimento de água de Cuiabá.

Até 1910 forneceu água à população do bairro e, assim como outros chafarizes que já existiam pela cidade servia como equipamento urbano importante, uma vez que apresentam a função de lazer para as famílias cuiabanas ao mesmo tempo em que expressava complexidades da sociedade escravista da época. Isso porque, permitia o encontro de classes, criando um espaço de construção da identidade local.

Localizado na Praça Bispo José Antônio dos Reis, na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), o chafariz do Mundéu tornou-se, ao longo do tempo, depósito de equipamentos de funcionários públicos que dão manutenção aos jardins nas imediações. Em 2019, contudo, passou por um processo de revitalização, que manteve as suas características originais.

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Memória UrbanaSímbolos Urbanos

O marco geodésico da América do Sul

by Almanaque Cuyabá 30 de novembro de 2022
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Sob as coordenadas 15° 35 ’56”,80 de latitude sul e 056° 06′ 05 “,55 de longitude oeste, situa-se o Centro Geodésico da América do Sul, em Cuiabá. O ponto recebeu seu Marco Simbólico em 1909, por determinação de Marechal Cândido Rondon, responsável pelos cálculos que apontavam para a centralidade do local. Embora os números tenham sido contestados à época, foram confirmados posteriormente pelo Exército Brasileiro.

Originalmente concebido em alvenaria, pelas mãos do artesão Júlio Caetano, o Marco Simbólico resguardava inscrições com as informações geográficas do local. Anos mais tarde, sobre a obra original, foi erguido um Obelisco de aproximadamente 20 metros de altura, revestido em mármore branco. A primeira obra foi preservada e ainda pode ser vista por meio da estrutura de vidro que a protege.

O obelisco está localizado na Praça Pascoal Moreira Cabral, que, ao longo dos Séculos foi conhecida como Largo da Forca e Campo d’Ourique. Ali, eram castigados os escravos, além de realizadas touradas. Após inúmeras transformações, o cenário deu espaço a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso em 1972 e hoje abriga a Câmara Municipal de Cuiabá.

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EscrivaninhaToda Palavra

Wlademir Dias Pino Poesia Concreta e Intensivismo

by Almanaque Cuyabá 28 de novembro de 2022
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O poeta e artista Wlademir Dias Pino (Rio de Janeiro – RJ, 24/04/1927 – Rio de Janeiro – RJ, 30/08/2018) chega com a família a Cuiabá em 1936, onde passa a juventude. Em 1939 edita, na gráfica de seu pai, seu primeiro livro: Os Corcundas. Poeta, artista visual e gráfico, funda, em 1948, o Intesivismo, movimento literário carregado de fortes inovações que antecipariam as tendências mais radicais da poesia visual e das artes plásticas das décadas de 1950 e 1960 no Brasil.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1952, passa a participar dos movimentos de vanguarda política e cultural da época. Torna-se ainda um dos seis fundadores do movimento da poesia concreta no país, ao lado de Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Ronaldo Azeredo. Na sequência, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956.

Ao propor uma leitura do mundo a partir das figuras, sua prática desafia a relação entre imagem e linguagem. Desta busca, por uma espécie de metáfora pura, surgiu o poema/processo (1967). Dias Pino foi também o primeiro autor a elaborar o conceito de “livro-poema”, com A Ave, tendo publicado dois outros livros fundamentais da literatura brasileira: Solida (1956-1962) e Numéricos. Wlademir faleceu em 2018.

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EscrivaninhaToda Palavra

Wander Antunes, autor de ‘Canalha’ e ‘Clara dos Anjos’

by Almanaque Cuyabá 28 de novembro de 2022
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O Ilustrador e roteirista de histórias em quadrinhos Wander Antunes (Jataí- Go, 1966) mudou-se aos 16 anos para Cuiabá. Aqui editou as revistas Vôte! e Estação Leitura, que reuniam histórias em quadrinhos, crônicas, poesias e contos de autores mato-grossenses.  Uma de suas criações de maior sucesso, Zózimo Barbosa – O Corno que Sabia demais, foi adaptada para uma série da Rede Globo de Televisão em 2017.

Sua primeira graphic novel, Crônicas da Província, foi lançada em 1999 em parceria com o desenhista Mozart Couto. A dupla voltaria a se reunir para A Boa Sorte de Solano Dominguez (2007). Em 2010, a editora franco-belga Dupuis publicou seu álbum Toute la poussière du chemin. Wander escreveu também Canalha (2002) e Clara dos Anjos (2011). Ilustrado por Lelis, este último é baseado na obra homônima de Lima Barreto.

Em 2004, fez sua estreia no mercado europeu de histórias em quadrinhos, com Gilda. A originalidade de sua obra lhe rendeu o Troféu HQ Mix – Publicação mix  pela Revista Canalha (2001), o Troféu HQ Mix, como roteirista (2007) e o Prix Marlysa: le coup de coeur, no Festival de Chambery, na França (2005). Atualmente, escreve para a Paquet, editora suíça sediada em Genebra.

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EscrivaninhaToda Palavra

Tereza Albuês, patrona das letras brasileiras

by Almanaque Cuyabá 28 de novembro de 2022
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A ‘Patrona Perpétua das Letras Brasileiras’, Tereza Albues (Várzea Grande – MT, 1936 – Nova York – EUA, 2005) graduou-se em Direito, em Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mudando-se na sequência para São Francisco e depois Nova York, nos Estados Unidos da América (EUA). Embora tenha escrito toda sua obra de lá, ao longo de 25 anos, seus primeiros romances são ambientados nas planícies pantaneiras de sua terra natal.

A influência de sua literatura traduz-se em importantes títulos. Em 1999 recebeu Menção Honrosa no Concurso de Contos Guimarães Rosa, em Paris. Seu nome consta no livro História da Literatura de Mato Grosso, na Enciclopédia de Literatura Brasileira e no Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras. Em 2013 torna-se Patrona Perpétua das Letras Brasileiras em Nova York, pelo Brazilian Endowment for the Arts (BEA).

Lançou livros como Pedra Canga (1987); Chapada da Palma Roxa (1991); A Travessia dos Sempre Vivos (1993) e O Berro do Cordeiro, em Nova York (1995). Tem ainda contos publicados na antologia Na Margem Esquerda do Rio: Contos de Fim de Século (2002). Na França, publicou o romance A Dança do Jaguar (2001). Tereza faleceu em 2005, em Nova York, deixando vários trabalhos inéditos.

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EscrivaninhaToda Palavra

Santiago Santos: destaque na arte das flash fictions

by Almanaque Cuyabá 28 de novembro de 2022
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Santiago Santos, nascido em Blumenau (SC) em 1987, é uma figura de destaque na arte das flash fictions — narrativas breves de intensa profundidade. Ainda na infância, mudou-se para Cuiabá, onde consolidou suas raízes. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), exerce múltiplos talentos como escritor, tradutor e comunicador.

As primeiras incursões de Santiago no universo das flash fictions ganharam vida em seu perfil no Facebook, mas, a partir de 2013, encontraram abrigo no site flashfiction.com.br, um espaço mais adequado ao gênero. Além disso, colaborou com antologias, blogs, jornais e revistas, ampliando o alcance de sua produção literária.

Entre suas obras, destacam-se Na Eternidade Sempre é Domingo (2016), uma imersão nos mitos e na história dos incas, conduzida pelos passos de uma mochileira em Machu Picchu, e Algazarra (2018), uma coleção envolvente de minicontos que revela sua maestria no gênero breve.

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EscrivaninhaToda Palavra

Rubens de Mendonça, expoente da historiografia mato-grossense

by Almanaque Cuyabá 28 de novembro de 2022
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Rubens de Mendonça (Cuiabá, MT, 27 de julho de 1915 – 3 de abril de 1983) é uma figura proeminente na história cultural de Mato Grosso. Filho do também escritor Estêvão de Mendonça, destacou-se como poeta, historiador e jornalista, sendo amplamente reconhecido como o maior expoente da historiografia mato-grossense. Ao longo de sua trajetória, desempenhou ainda atividades como escriturário, avaliador judicial e professor de Língua Portuguesa.

Fundador e diretor de diversos jornais e revistas, deixou sua marca em publicações como Correio da Semana, O Estado de Mato Grosso, Correio da Imprensa e Diário de Cuiabá. Seu legado literário é extenso, com 38 obras publicadas, entre as quais se destacam: Aspecto da Literatura Mato-Grossense (1938), Álvares de Azevedo, o Romântico Sertanista (1941), No Escafandro da Vida (1946), Dom Pôr do Sol (1954), Roteiro Histórico e Sentimental da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (1954), Sagas & Crendices da Minha Terra Natal (1969) e Dicionário Biográfico Mato-grossense (1970).

Sua obra, que entrelaça poesia e historiografia, garantiu-lhe um lugar de honra no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) e na Academia Mato-grossense de Letras (AML). Como forma de preservar e perpetuar sua memória, grande parte de sua produção — assim como a de seu pai — foi doada pela família ao Arquivo da Casa Barão de Melgaço, onde está catalogada, digitalizada e disponível para pesquisadores, consolidando sua contribuição inestimável à cultura e história de Mato Grosso.

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