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Almanaque Cuyabá

Almanaque Cuyabá

O Almanaque Cuyabá é um verdadeiro armazém da memória cuiabana, capaz de promover uma viagem pela história em temas como música, artes, literatura, dramaturgia, fatos inusitados e curiosidades de Mato Grosso. Marcam presença as personalidades que moldaram a cara da cultura local.

Falar cuiabano

“Vôooote!”, descubra a origem desta expressão

by Almanaque Cuyabá 7 de março de 2026
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Entre as inúmeras expressões tradicionais que ainda vibram com intensidade na fala dos cuiabanos de “tchapa e cruz”, uma se destaca com brilho singular: o emblemático e carregado de significado “vôte!”. Esta exclamação, quase um brado da alma, emerge com espontaneidade para expressar repulsa, aversão ou até mesmo um espanto desmedido.

Em situações inesperadas ou desconcertantes, é comum ouvir algo como: “Vôôôte! Deus me livre desse sujeito com cara de capeta!” – uma frase que, com seu tom dramático, encapsula o humor, o susto e a vivacidade tão características da cultura cuiabana. Basta um momento de surpresa ou desagrado, e lá vem o costumeiro “vôôôôôôte!”, acompanhado daquele eco arrastado, quase teatral, que lhe confere ainda mais intensidade e personalidade.

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Ditos populares

Casa da Mãe Joana: a curiosa origem de uma expressão popular

by Almanaque Cuyabá 7 de março de 2026
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A expressão “casa da mãe joana” tem sua origem na história de Joana I, que no século XIV passou de rainha de Nápoles a fugitiva. Ela teria sido envolvida no assassinato de seu marido, vítima de uma conspiração na qual Joana teria participado diretamente. O cunhado dela, Luís I, rei da Hungria, furioso com a situação, invadiu Nápoles, forçando Joana a fugir para Avignon, na França.
Em Avignon, Joana assumiu o controle da cidade e decidiu regulamentar os bordéis, que passaram a ser chamados de “Paço da Mãe Joana”. No Brasil, a palavra “paço” foi alterada popularmente para “casa”, e uma das normas desse local dizia que “o lugar teria uma porta por onde todos possam entrar”, simbolizando a liberdade e a desordem. Assim, a expressão “casa da mãe joana” passou a ser associada a ambientes desorganizados, onde imperam a bagunça e a falta de regras, e também passou a ser um sinônimo de prostíbulo.

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Digoreste

O legado histórico de Ana Maria do Couto

by Almanaque Cuyabá 7 de março de 2026
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Ana Maria do Couto May foi uma mulher inesquecível, de presença marcante e beleza impressionante. Com 1,67 m de altura, pele morena, olhos castanhos e cabelos negros, ela tinha uma energia que silenciava qualquer conversa ao entrar em um ambiente. Seu sorriso genuíno, inteligência, espontaneidade e determinação a tornaram uma personalidade única. Quase 40 anos após sua morte prematura, sua memória permanece viva entre aqueles que a conheceram, sendo lembrada como uma das figuras que sacudiu Cuiabá.

Nascida em 13 de setembro de 1925, Ana Maria foi pioneira na educação física e no esporte, incentivando as jovens cuiabanas a praticar futebol na década de 40. Formada em 1944, ela se tornou professora no Colégio Estadual de Mato Grosso, onde era muito admirada pelos alunos. Além disso, foi vereadora de Cuiabá, sendo uma das primeiras mulheres a conquistar um espaço na política local.

Ana Maria se destacou também no futebol feminino, tornando-se a primeira mulher no Brasil a presidir um time de futebol, o Dom Bosco, e também organizando grandes festas em Cuiabá entre 1969 e 1971.

Independente e ousada, desafiou os padrões da época e levou uma vida plena, cercada de apoio familiar. Em 1969, organizou as celebrações dos 250 anos de Cuiabá, mas em 1970 foi diagnosticada com câncer e se afastou das atividades. Ela faleceu em 17 de outubro de 1971, aos 46 anos, deixando um legado imortalizado em diversas homenagens, incluindo o presídio feminino de Cuiabá e um conjunto habitacional em Campo Grande. Seu exemplo de coragem, liderança e dedicação segue inspirando todos que conhecem sua história.

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Publicado no Impresso

O primeiro escândalo amoroso de Cuiabá: paixão, poder e exílio

by Almanaque Cuyabá 14 de julho de 2025
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Em meio ao cenário bucólico e intrigante da Cuiabá colonial, em 1753, desenrolou-se um drama de paixão e poder que marcaria os primórdios da história da então Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá. Os protagonistas deste romance foram duas figuras ilustres da época: o influente ouvidor João Vaz Morilhas, homem culto e elegante, e o governador da recém-criada Capitania de Mato Grosso, dom Antônio Rolim de Moura Tavares. No centro deste triângulo explosivo, estava a misteriosa e encantadora Benta Cardoso, uma mulher cuja beleza e presença cativaram os dois homens mais poderosos da região.

A trama teve início nas noites silenciosas da pequena vila. Vaz Morilhas, profundamente apaixonado por Benta, a recebia secretamente em um casarão que hoje abriga os Correios, situado na então Rua Bela do Juiz, atual 13 de Junho. A jovem, detida no quartel vizinho, escapava sorrateiramente todas as noites, atravessando uma porta entreaberta que dava acesso direto ao apaixonado juiz. Sob as estrelas, longe das vistas curiosas, os dois viviam seu romance proibido, desafiando convenções e o próprio destino.

No entanto, o idílio foi interrompido pela chegada de dom Antônio Rolim de Moura Tavares, o primeiro governador da capitania, enviado por El-Rei de Portugal para impor a ordem e consolidar o domínio português na região. Dono de um temperamento enérgico e ambicioso, Rolim de Moura rapidamente se estabeleceu como a autoridade suprema da vila, ofuscando o poder até então exercido pelo ouvidor. Não tardou para que os olhos do governador recaíssem sobre Benta Cardoso, e ele, tão enfeitiçado quanto o juiz, decidiu disputar o coração da jovem.

O que se seguiu foi uma verdadeira batalha de egos e influências. Rolim de Moura, valendo-se de sua autoridade como representante direto da coroa, começou a perseguir e ameaçar Vaz Morilhas. A rivalidade entre os dois escalou até um ponto insustentável, e o governador, determinado a eliminar seu concorrente, ordenou a prisão do juiz. Sob escolta armada, João Vaz Morilhas foi forçado ao exílio, sendo enviado para Belém, no Pará, deixando para trás não apenas a mulher que amava, mas também sua posição e prestígio na Vila Real de Cuiabá.

Com o afastamento de Vaz Morilhas, o romance chegou ao fim, mas suas repercussões ecoaram por décadas. O nome da Rua Bela do Juiz, como passou a ser conhecida pela população, eternizou o episódio nas memórias cuiabanas, transformando o local em um marco da paixão e da intriga política.

Benta Cardoso, por sua vez, permaneceu envolta em mistério, um enigma de seu destino que apenas aumentou seu fascínio na imaginação popular. Já dom Antônio Rolim de Moura Tavares continuou a governar a capitania, consolidando sua influência e deixando um legado administrativo que, paradoxalmente, carregava as marcas de um amor que nunca chegou a ser consumado plenamente.

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Publicado no Impresso

O bonde que descarrilou a política: o insólito episódio em Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 14 de julho de 2025
written by Almanaque Cuyabá

O Almanaque Brasil, por meio do jornalista Bruno Hofman, rememora a chegada dos bondes ao país, destacando episódios marcantes em São Paulo. Na capital paulista, os trilhos foram inaugurados em 1872, com bondes puxados por burros entre a Rua do Carmo e a estação da Luz. Já em Cuiabá, a estreia do transporte sobre trilhos ocorreu em 1891, com veículos igualmente tracionados por burricos e operados pela Companhia Progresso Cuiabano, mais tarde adquirida por Benedito Figueiredo Leite, o popular “Didito da Balsa”.

Mas o bonde cuiabano não levou apenas passageiros: carregou consigo um episódio político inusitado. Em 1898, o chefe de Polícia, major Frederico Adolfo Joseti, proibiu a circulação dos bondes alegando questões de segurança. A ordem, no entanto, foi desafiada pelo influente senador Generoso Ponce, líder do Partido Situacionista, que determinou que o bonde seguisse viagem — uma afronta que resultou em embate direto com o presidente do Estado, Antônio Corrêa da Costa. Sem respaldo e temendo as consequências de prender um senador, Joseti renunciou. Corrêa da Costa, pressionado pela crise, também deixou o cargo e retirou-se para Porto Murtinho. Um bonde, assim, foi capaz de descarrilar uma presidência.

Curiosamente, a própria palavra “bonde” é um termo tipicamente brasileiro, com diversas teorias sobre sua origem. Mais do que um meio de transporte, ele legou expressões que resistem no nosso vocabulário até hoje, como:

  • Andar na linha – agir com correção e integridade;
  • Pegar o bonde andando – entrar em algo já em andamento;
  • Perder o bonde da história – deixar escapar uma oportunidade;
  • Comprar um bonde – cair em um golpe ou ser enganado;
  • Tocar o bonde – seguir adiante com uma decisão ou plano;
  • Tomar o bonde errado – quando tudo dá errado;
  • Trombada – colisão ou choque inesperado, expressão que teria surgido após um elefante, fugido de um circo nos anos 1920, derrubar um bonde com a tromba.

Há ainda os termos técnicos e curiosidades da época:
Condutor era sinônimo de cobrador; motorneiro, o motorista do bonde; e o almofadinha, que hoje remete a alguém excessivamente vaidoso, era o passageiro que levava sua própria almofadinha de madeira para suavizar o sacolejo dos trilhos.

A história dos bondes, portanto, não se resume ao transporte urbano: ela percorre os trilhos da política, do cotidiano e da linguagem popular brasileira. E em Cuiabá, como se viu, um bonde foi capaz de fazer estremecer os alicerces do poder.

 

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TESTE ANCORA

A força do Siriri e Cururu, do barro e das raízes cuiabanas

by Almanaque Cuyabá 1 de julho de 2025
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Almanaque — Dona Domingas, pra começarmos, conte pra gente de onde a senhora vem e como tudo começou.

Dona Domingas — Eu sou nascida e criada aqui mesmo, em São Gonçalo Beira Rio, em Cuiabá, lá pros lado do rio. Nasci em 1954. Desde minina, com uns oito anos, eu já tava no meio das festança, vendo o povo dançá Siriri, batê palma, rodá a saia. Aquilo me encantô. A gente aprendia era vendo, não tinha negócio de escolinha, não. O corpo é quem aprendia primeiro.

Almanaque — E além de dançar, a senhora também rompeu um certo tabu nas festas, não foi?

Dona Domingas — Foi mesmo, fio. Naquele tempo, tamborim era só pros homi. Mulher nem podia chegá perto, senão diziam que dava azar. Mas eu fui lá e peguei. Fui a primeira mulher a tocá tamborim nessas festas do povo. O povo arregalô o zóio, mas depois acostumô. O que eu queria mesmo era mostrâ que nós, mulher, também pode. E pode é muito!

Almanaque — E dessa paixão nasceu o grupo Flor Ribeirinha?

Dona Domingas — Foi. Criei com o coração, viu? O Flor Ribeirinha é pra mostrá nossas danças, nossas rezas, nosso jeito de sê. O siriri, o rasqueado, o boi-à-serra… isso tudo é coisa nossa, de raiz. Nós não dança só por dançá, não. Nós conta história no passinho, no canto, na batida da viola de cocho. Quando a saia roda, parece que o mundo até muda de cor.

Almanaque — E com as mãos, a senhora também conta histórias, né?

Dona Domingas — Ah, mexê com barro é coisa que tá no sangue. Aprendi com minha mãe, que era índia coxiponé, uma mulher sabida demais. Ela me ensinô a tirá o barro da beira do rio, a deixá no ponto, a moldá com jeito. Hoje eu passo isso pra frente. Lá nos CAPS, eu ensino o povo a mexê no barro, e eles vão se acalmando, conversando, se curando. É uma terapia, uma bênção.

Almanaque — A senhora sempre esteve muito envolvida com a comunidade.

Dona Domingas — Sempre tive no meio, fio. Já fui da associação de moradores, da associação das mãe, da ceramista… A gente tem que se juntá, porque sozinho ninguém vai longe. Em comunidade a gente se ajuda, divide a farinha, reparte o peixe e segura a barra.

Almanaque — E esse trabalho todo foi reconhecido. A senhora já recebeu prêmios importantes.

Dona Domingas — Ganhei sim. Em 2018, levei o prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura. Fiquei toda boba, sô! Segunda maior nota do Centro-Oeste. Em 2019, a UFMT me deu o título de Doutora Honoris Causa. Eu falei: “Credo, gente, eu nem terminei os estudo!” E eles: “Mas a senhora tem o saber do povo.” Aí eu chorei, né? Porque é bom demais sê reconhecida pelo que a gente faz com amor.

Almanaque — E em 2023, o grupo Flor Ribeirinha brilhou no mundo!

Dona Domingas — Vixe Maria! Foi um sonho! A gente foi pra Coreia do Sul, representando o Brasil no Cheonan World Dance Festival. Chegando lá, os coreano ficava tudo besta com as roupa, com a dança, com o batuque. E nós ganhemos! Trouxemos o prêmio pra casa. O povo de São Gonçalo chorô, festejou, batêu palma. Era nossa cultura sendo aplaudida do outro lado do mundo. Ô trem bão!

Almanaque — Dona Domingas, pra fechar, o que a senhora diria pra quem quer seguir o caminho da cultura popular?

Dona Domingas — Eu digo assim, ó: não tenha vergonha das sua raiz. Dance com gosto, com respeito. Escute os mais velho, porque eles são livro vivo. E num se esquece: cultura não é coisa véia, é coisa viva. É igual barro: se não mexê, seca; mas se cuidá, vira arte.

 

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TESTE ANCORA

Lula decreta luto oficial de sete dias pela morte do Papa Francisco

by Almanaque Cuyabá 21 de abril de 2025
written by Almanaque Cuyabá

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou nesta segunda-feira (21) luto oficial de sete dias em homenagem ao Papa Francisco. Por meio de nota, o presidente destacou o legado do pontífice argentino Jorge Mario Bergoglio e lamentou profundamente a perda de uma “voz de respeito e acolhimento ao próximo”.

Lula ressaltou que Francisco viveu e propagou valores como o amor, a tolerância e a solidariedade.

“Assim como ensinado na oração de São Francisco de Assis, o Papa buscou de forma incansável levar o amor onde existia o ódio. A união, onde havia a discórdia”, disse.

O presidente também destacou a atuação do Papa em temas centrais da agenda social e ambiental global. Segundo ele, com simplicidade, coragem e empatia, Francisco levou ao Vaticano o debate sobre as mudanças climáticas e denunciou modelos econômicos geradores de injustiças e desigualdades.

“Ele sempre se colocou ao lado daqueles que mais precisam: os pobres, os refugiados, os jovens, os idosos e as vítimas das guerras e de todas as formas de preconceito”, afirmou Lula.

O presidente lembrou ainda os encontros que teve com o Papa, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, como momentos de carinho e partilha de ideais comuns. “Pudemos compartilhar nossos ideais de paz, igualdade e justiça. Ideais de que o mundo sempre precisou. E sempre precisará”, disse.

Ao finalizar a nota, o presidente desejou consolo a todos que sofrem com a perda do líder religioso. “O Santo Padre se vai, mas suas mensagens seguirão gravadas em nossos corações”, concluiu.

Encontros

O presidente Lula e o Papa Francisco se encontraram oficialmente em três ocasiões. O primeiro encontro ocorreu em 13 de fevereiro de 2020, no Vaticano. A reunião, de caráter privado, foi realizada na Casa Santa Marta, onde o Papa costuma receber convidados em um ambiente mais reservado e informal. Durante cerca de uma hora, eles conversaram sobre a importância da solidariedade, do combate às desigualdades e da construção de um mundo mais justo e fraterno.

Já eleito, Lula voltou a se reunir com o pontífice em 21 de junho de 2023, também no Vaticano. Na ocasião, além de reafirmarem os laços de amizade, discutiram temas da agenda global, como a promoção da paz, a preservação ambiental e a luta contra a fome e a pobreza. O presidente convidou o Papa Francisco para visitar o Brasil, especialmente durante a celebração do Círio de Nazaré, em Belém (PA).

O terceiro encontro aconteceu em 14 de junho de 2024, durante a Cúpula do G7, realizada na região de Apúlia, no sul da Itália. O Papa participou pela primeira vez como orador no evento, destacando a necessidade de um uso ético da inteligência artificial e condenando o desenvolvimento de armas autônomas letais. Em uma reunião privada, Lula e Francisco voltaram a discutir temas como o combate à fome, a promoção da paz e a necessidade urgente de reduzir as desigualdades globais.

*Agência Brasil

21 de abril de 2025 0 comments
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CuiabanidadeDrops de nossos autoresLendas e Causos cuiabanos

A princesa branca do vestido azul

by Almanaque Cuyabá 11 de abril de 2025
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Num tempo antigo, quando a vila de Livramento ainda era cercada por vastas matas virgens e bosques densos, a vida corria tranquila entre os campos e os ribeirões. Grandes propriedades se espalhavam pela paisagem, testemunhas do poder dos velhos posseiros, e as crianças brincavam livres entre flores, pássaros e borboletas.

Foi num desses dias, de céu limpo e ar doce, que um menino de apenas quatro anos, encantado pelo colorido das asas das borboletas e pelo canto das aves, seguiu mata adentro. Fascinado, foi se afastando de casa sem perceber, perdido no esplendor da natureza.

Horas se passaram. O sol já se inclinava no céu quando o menino deu-se conta de que não sabia mais voltar. O medo apertou-lhe o peito. Sentiu fome, sede, e as lágrimas brotaram nos olhos. Sentou-se à beira de um riacho e começou a chamar pela mãe, com a voz embargada pelo desespero.

Foi então que ela apareceu.

De entre a mata, surgiu uma jovem de beleza serena, vestida com um lindo vestido azul, o rosto envolto numa luz suave, acolhedora. Sem dizer palavra, ela ajoelhou-se diante da criança, segurou-lhe a mão com ternura e sorriu.

— “Vem, meu anjinho. Vamos para casa.”

O menino seguiu a moça, sentindo-se seguro como se estivesse nos braços da própria mãe. Ao chegarem à entrada do povoado, ela ajoelhou-se, olhou-o nos olhos e disse com voz doce:

— “Se alguém lhe perguntar quem o trouxe, diga apenas que foi a melhor amiga de todas as mães… a Princesa Branca do Vestido Azul.”

Ao vê-lo regressar ao lar, a vila inteira celebrou. Os pais, que o procuravam há horas pelas matas e ribeirões, já sem esperança, choraram de alívio e gratidão. Em sinal de fé e agradecimento, mandaram celebrar uma missa na capela da vila.

Na manhã seguinte, a igreja estava cheia de flores, luzes e fé. O menino, de mãos dadas com os pais, caminhava pelo corredor central quando apontou, com o rosto iluminado pela alegria:

— “Olha, mãe! Ali está a moça que me trouxe pra casa! Com o mesmo vestido azul!”

No altar, adornada de flores, estava a imagem de Nossa Senhora do Livramento — a mesma que o guiara pela mão quando a esperança parecia perdida.

Desde então, na vila de Livramento, muitos acreditam que a Santa protege as crianças e guia os que se perdem — não apenas na floresta, mas também na vida.

11 de abril de 2025 0 comments
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