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Almanaque Cuyabá

Almanaque Cuyabá

O Almanaque Cuyabá é um verdadeiro armazém da memória cuiabana, capaz de promover uma viagem pela história em temas como música, artes, literatura, dramaturgia, fatos inusitados e curiosidades de Mato Grosso. Marcam presença as personalidades que moldaram a cara da cultura local.

Notinhas

Melhora clínica marca evolução de Bolsonaro na UTI

by Almanaque Cuyabá 16 de março de 2026
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Boletim divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Hospital DF Star informa que o ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou melhora clínica e laboratorial nas últimas 24 horas.

Internado na UTI desde sexta-feira (13), ele trata uma broncopneumonia bacteriana bilateral, de provável origem aspirativa. Houve recuperação da função renal e redução de marcadores inflamatórios, indicando boa resposta ao tratamento.

Bolsonaro segue em terapia intensiva, com suporte clínico e fisioterapia, ainda sem previsão de alta.

Contexto

O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Papudinha, no Complexo da Papuda, por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Na sexta-feira, passou mal e foi socorrido pelo Samu ao Hospital DF Star, com febre alta, queda de oxigenação, sudorese e calafrios.

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Photographias

Palácio Presdencial

by Almanaque Cuyabá 13 de março de 2026
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O Palácio Presidencial de Cuiabá, um símbolo da história política do estado, serviu como residência oficial de presidentes e governadores desde o período imperial até o início da República. Em 1940, por meio de um decreto assinado pelo interventor Júlio Strubing Müller, o palácio recebeu o nome oficial de Palácio Alencastro, em homenagem ao coronel José Maria Alencastro, o terceiro membro da ilustre família a governar a Província de Mato Grosso.

Em 1959, o histórico edifício foi demolido para dar espaço à construção da atual sede da Prefeitura de Cuiabá, que também passou a ser denominada Palácio Alencastro. A transformação do antigo palácio em um marco da administração pública da cidade reflete o contínuo processo de modernização e reconfiguração urbana, mas também carrega consigo um legado importante da história política e administrativa de Mato Grosso.

Photographia é um projeto cultural de pesquisa da central de documentação de dados do Almanaque Cuyabá. A iniciativa visa resgatar imagens históricas da cidade homônima.
As ilustrações selecionadas nesta Categoria são, em sua grande maioria, de domínio público; outras, creditadas à fotógrafos, editores, colecionadores, instituições e a plataformas digitais congêneres.

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Arquivo BR

A história da menina que rejeitou a mão de Figueiredo

by Almanaque Cuyabá 10 de março de 2026
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Em setembro de 1979, Rachel Coelho Menezes de Souza, mais conhecida como Rachel Clemens, deixou uma marca profunda na memória do Brasil ao se recusar a apertar a mão do general João Baptista de Oliveira Figueiredo, então presidente da República, durante um encontro em Belo Horizonte. Seu gesto se tornou um símbolo da resistência ao regime militar, que estava nos seus últimos anos, e se transformou em um ícone do desgaste e da luta contra a repressão, especialmente entre aqueles que, ainda que de maneira simbólica, protestavam contra o regime.

Naquele momento, Rachel tinha apenas 5 anos de idade, e embora seu gesto fosse, em sua essência, um ato espontâneo e não necessariamente político, ele foi interpretado de forma poderosa no contexto de tensões sociais da época. Em uma entrevista ao Jornal da Globo em 2011, Rachel relembrou que estava apenas empolgada por encontrar o presidente e que não foi movida por questões políticas. Segundo ela, seu pai tinha dito que almoçaria com o presidente, e, curiosa, ela pediu para a mãe a levar até ele. “Virei para ele: ‘você sabia que vai almoçar com meu pai hoje?’ Aí todo mundo dizia: ‘dá a mão para ele, dá a mão para ele’. Eu detestei. Detesto que me mandem fazer as coisas. Não dei a mão porque eu não queria dar a mão para ele, eu queria dar um recado para ele”, explicou.

Anos depois, Rachel se formaria em Comércio Exterior, faria pós-graduação no Instituto Tecnológico da Aeronáutica e viveria em diversos países. Rachel faleceu aos 40 anos, em 2015, deixando uma filha, mas sua imagem e seu gesto continuam a ecoar como um poderoso símbolo da resistência de uma geração que ousou desafiar a ditadura e lutar pela liberdade.

10 de março de 2026 0 comments
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Cidades de Mato Grosso

Acorizal: origens históricas e suas raízes agrícolas

by Almanaque Cuyabá 9 de março de 2026
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A povoação que deu origem ao atual município de Acorizal surgiu em um período de transformação na região do antigo Arraial do Senhor Bom Jesus do Cuiabá. Nos primeiros tempos, a mineração sustentava a economia local. Contudo, com o esgotamento das catas fáceis de ouro e a forte fiscalização da Coroa portuguesa, muitos moradores deixaram o arraial em busca de novas minas promissoras.

Enquanto parte seguiu rumo a outras regiões, alguns habitantes, menos aventureiros e de inclinação agrícola, subiram pelas margens do rio Cuiabá e de seus afluentes em busca de terras férteis. Nessas áreas passaram a cultivar alimentos destinados a suprir as necessidades da vila, que carecia de produção local.

Esses pioneiros foram, possivelmente, os primeiros moradores da área que viria a formar o município de Acorizal. Diferentemente de localidades vizinhas, cuja origem esteve ligada à mineração, Acorizal consolidou-se sobre bases essencialmente agrícolas. Entre as primeiras iniciativas destacou-se o cultivo da cana-de-açúcar, introduzido por Antonio da Silva Lara, contribuindo para fixar a população e fortalecer a economia rural da região.

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Cidades de Mato Grosso

Barão de Melgaço e a origem do nome

by Almanaque Cuyabá 9 de março de 2026
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A localidade que hoje integra o município de Barão de Melgaço teve, inicialmente, o nome de Melgaço. A denominação atual surgiu em homenagem ao almirante Augusto João Manoel Leverger, agraciado com o título nobiliárquico de Barão de Melgaço em reconhecimento aos seus relevantes serviços como militar, administrador e presidente da Província de Mato Grosso.

Durante a Guerra do Paraguai, Leverger destacou-se ao determinar a construção de uma trincheira fortificada nas colinas de Melgaço, às margens do rio Cuiabá. A obra tinha o objetivo de conter uma possível invasão das tropas paraguaias à capital mato-grossense. Embora a invasão não tenha se concretizado, a movimentação militar demonstrou a estratégia e a determinação do almirante na defesa da província.

Curiosamente, ao receber o título de barão, o próprio Leverger confessava desconhecer a origem do nome Melgaço. Em carta dirigida ao francês Boulanger, seu conterrâneo e habilidoso projetista, solicitou a elaboração de um brasão e do diploma nobiliárquico, admitindo: “Não sei a significação nem a etimologia de Melgaço. É o nome de uma série de colinas que bordam o Rio Cuiabá…”. O relato encontra-se na obra Leverger – o Bretão Cuiabanizado, de Virgílio Corrêa Filho.

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Cidades de Mato Grosso

Barra do Garças: rotas fluviais e sua formação

by Almanaque Cuyabá 9 de março de 2026
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A criação do município de Barra do Garças resultou da transferência da sede do antigo município de Araguaiana para essa localidade, passando Araguaiana à condição de distrito. As primeiras referências históricas da região remontam ao século XVII, ligadas às lendárias Minas dos Martírios. Naquele período, o vasto território era habitado por povos indígenas, principalmente das nações bororo e xavante.

O processo de ocupação efetiva intensificou-se durante a Guerra do Paraguai, quando o presidente da Província de Mato Grosso, Couto de Magalhães, promoveu a navegação do rio Araguaia como forma de integrar as bacias do Prata e do Tocantins. Para isso, três embarcações foram transportadas em carros de boi do rio Cuiabá até o Porto de Itacaiú, onde foram montadas.

Ao longo do rio surgiram presídios e postos de registro, como Ínsua, Passa Vinte e Macedina. Nas proximidades da foz do rio das Garças surgiu o ponto conhecido como Barra Cuiabana, marcado por uma pedra que servia de referência aos viajantes. Com o tempo, o local tornou-se núcleo de povoamento, impulsionado por migrantes atraídos pela mineração e pelas expedições de desbravamento lideradas por Marechal Rondon e pelos irmãos Villas Bôas.

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Historicidade

A Rusga Cuiabana: levante contra os ‘Bicudos’

by Almanaque Cuyabá 9 de março de 2026
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A história da Rusga  foi um marco violento e emblemático na política provincial de Mato Grosso,  ocorrida em Cuiabá em 1834. Essa revolta, comandada pela Guarda Nacional em aliança com a Guarda Municipal, foi orquestrada pela Sociedade dos Zelosos da Independência, de orientação liberal, e resultou em um ataque brutal contra os portugueses residentes em Cuiabá, chamados pejorativamente de “Bicudos”. Este movimento inscreveu-se no contexto da instabilidade política da Regência no Brasil (1831–1840), período que sucedeu à abdicação de D. Pedro I.

Contexto Histórico: Liberais x Conservadores

Durante a Regência, o cenário político nacional era dominado por duas correntes principais: os progressistas (futuramente Partido Liberal), apoiadores de reformas sociais e políticas, e os regressistas (posteriormente Partido Conservador), defensores de uma ordem tradicional, incluindo o retorno de D. Pedro I ao poder. Em Mato Grosso, essas facções organizaram-se em duas associações:

  • Sociedade dos Zelosos da Independência: congregava liberais moderados e radicais, sendo esta última ala a protagonista da Rusga.
  • Sociedade Filantrópica: representava os interesses conservadores e a elite portuguesa da província.

A rivalidade entre essas associações intensificou-se em disputas pelo controle político da região, culminando no episódio sangrento.

A Eclosão do Conflito: 30 de Maio de 1834

A insatisfação com o domínio político dos conservadores levou os radicais da Sociedade dos Zelosos da Independência a planejar um levante. Apesar de esforços do Conselho do Governo provincial para evitar o conflito, incluindo a nomeação de João Poupino Caldas como presidente da província, a revolta não foi contida.

Na noite de 30 de maio de 1834, Cuiabá foi tomada pelo caos. Relatos da época, como os do historiador Estevão de Mendonça, descrevem o cenário: “Ouviam-se o toque de cornetas, tiros e gritos de ‘Morram os Bicudos’ enquanto portas eram arrombadas por machados e alavancas”. A revolta culminou em ataques a propriedades e residências de portugueses e outros estrangeiros, culminando no massacre de cerca de 400 pessoas, incluindo crianças.

Os insurgentes, reunidos no Campo D’Ourique (atual Praça Moreira Cabral), marcharam por ruas de Cuiabá, motivados por um ódio étnico e político que nem mesmo os apelos do bispo D. José Antônio dos Reis, de crucifixo em mãos, ou do moderado presidente Poupino Caldas, conseguiram deter.

O Líder e o Pós-Revolta

A liderança simbólica da Rusga foi atribuída a Antônio Luís Patrício da Silva Manso, conhecido como “O Tigre de Cuiabá”. Médico e botânico, Silva Manso deixou Cuiabá antes da eclosão do levante. Após a carnificina, Poupino Caldas renunciou ao cargo, sendo substituído por Antônio Pedro de Alencastro, que iniciou o processo judicial contra os responsáveis pela revolta.

A Repressão e o Julgamento

Em 4 de novembro de 1834, o Promotor Público Joaquim Fernandes Coelho iniciou o Auto Sumário Crime para apurar os delitos cometidos. Entre os acusados, presos no Quartel da Guarda Municipal, estavam:

  • José Alves Ribeiro (fazendeiro);
  • José Jacinto de Carvalho (capitão da Guarda Nacional);
  • Pascoal Domingues de Miranda (bacharel);
  • Braz Pereira Mendes (professor de filosofia);
  • Bento Franco de Camargo (vereador).

Os cinco líderes foram enviados ao Superior Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro. No entanto, o tribunal declarou que o foro adequado para o julgamento era Cuiabá. Retornaram com habeas corpus, sendo soltos posteriormente, com exceção de Pascoal Domingues de Miranda, que permaneceu no Rio.

Legado da Rusga

A Rusga Cuiabana permanece como um dos episódios mais trágicos e controversos da história de Mato Grosso. Marcada pela violência étnica e pelas disputas políticas, ela reflete o conturbado período regencial e as tensões entre o poder local e as forças coloniais. Este episódio não apenas moldou o panorama político da província como também deixou marcas profundas na memória histórica da região. (com Elizabeth Madureira Siqueira)

9 de março de 2026 0 comments
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Costumes e Tradições

Pixé, a doçura que marcou a antiga Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 7 de março de 2026
written by Almanaque Cuyabá

Entre as lembranças mais saborosas da Cuiabá antiga, poucas são tão queridas quanto o pixé, doce simples e generoso que atravessou gerações como um verdadeiro símbolo da cozinha popular cuiabana.

O pixé era, na essência, uma espécie de paçoquinha feita de milho torrado, socado com açúcar até virar uma farofa doce, aromática e levemente crocante. O preparo começava com o milho sendo torrado lentamente no tacho, espalhando pela casa um cheiro quente e convidativo. Depois vinha a parte mais trabalhosa: o milho era levado ao pilão, onde era socadinho com paciência, até se transformar numa mistura fina. Misturado ao açúcar, surgia então o pixé — rústico, dourado e irresistível.

Na Cuiabá de outros tempos, o doce ganhou também as ruas. Era muito comercializado de forma simples e engenhosa: em pequenos canudinhos de papel, cuidadosamente enrolados. Vendedores ambulantes, quitandeiras e pequenas vendas ofereciam o pixé nesses cones improvisados, que cabiam perfeitamente nas mãos das crianças e permitiam saborear o doce aos poucos, como um pequeno tesouro açucarado.

Nas ruas de terra e nos quintais sombreados de mangueiras, o doce fazia a alegria da meninada. Bastava aparecer um canudinho de pixé para formar roda de crianças ao redor. Cada uma pegava seu tanto, inclinando o papel para a boca, e logo começava a festa.

Era impossível comer pixé sem se lambuzar. O pó doce grudava nos dedos, no queixo e nos lábios. A criançada lambia os beiços, tentando não desperdiçar nenhum grão, enquanto a boca ficava toda marcada pela farinha dourada do milho socado. As mães, entre risos e pequenas advertências, diziam que aquele doce parecia feito mais para sujar do que para comer.

Mas era justamente essa simplicidade que dava encanto ao pixé. Não havia luxo, nem receita complicada — apenas milho, açúcar e o carinho de quem preparava. Ainda assim, bastava um punhado daquele doce para transformar uma tarde comum numa memória que o tempo não apagaria.

7 de março de 2026 0 comments
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