A origem mais conhecida da expressão remonta ao espanhol Diego de Almagro (1479-1538), um dos conquistadores da América. Segundo o relato, Almagro teria perdido um dos olhos ao tentar invadir uma fortaleza inca. Ao relatar o ocorrido ao imperador Carlos I, teria declarado: “Defender os interesses da Coroa espanhola me custou um olho na cara.” Essa frase, carregada de significado, teria dado origem à expressão que hoje usamos para descrever algo que demanda um alto preço ou sacrifício.
Almanaque Cuyabá
Almanaque Cuyabá
O Almanaque Cuyabá é um verdadeiro armazém da memória cuiabana, capaz de promover uma viagem pela história em temas como música, artes, literatura, dramaturgia, fatos inusitados e curiosidades de Mato Grosso. Marcam presença as personalidades que moldaram a cara da cultura local.
A expressão “as paredes têm ouvidos”, presente em vários idiomas como alemão, francês e chinês, tem origem atribuída a um antigo provérbio persa que dizia: “As paredes têm ratos, e ratos têm ouvidos.” Um registro similar aparece no clássico medieval The Canterbury Tales, de Geoffrey Chaucer, onde se afirma: “Aquele campo tinha olhos, e a madeira tinha ouvidos.”
A versão mais intrigante, contudo, remete à França renascentista. Conta-se que Catarina de Médicis, rainha consorte de Henrique II e ferrenha adversária dos huguenotes, mandava perfurar as paredes do palácio real para escutar conversas daqueles de quem suspeitava. Essa prática, motivada por sua vigilância implacável, teria popularizado a ideia de que segredos dificilmente permanecem ocultos. (com Superinteressante)
A expressão “erro crasso” é tradicionalmente associada aos equívocos do romano Marco Licínio Crasso, um dos membros do Primeiro Triunvirato, ao lado de Júlio César e Pompeu, em 59 a.C.
Crasso, movido por uma ambição desmedida, tentou conquistar o Império Parta, na Mesopotâmia. Em 53 a.C., durante a desastrosa Batalha de Carras, cometeu um grave erro estratégico ao atacar a poderosa cavalaria parta com sua infantaria romana em campo aberto, resultando na aniquilação de seu exército e em sua própria morte.
Esse episódio tornou-se emblemático como símbolo de decisões desastrosas e mal calculadas, dando origem à expressão utilizada até hoje para designar erros graves e evidentes.
A expressão “chato de galocha” tem origem curiosa e pode ser explicada por duas hipóteses.
A galocha, como explica o portal Superinteressante, é um calçado de borracha usado sobre os sapatos para protegê-los da chuva e da lama. A primeira hipótese sugere que o termo se refere a alguém insuportavelmente persistente, como uma galocha, projetada para ser resistente e reforçada.
A segunda hipótese, mais interessante, remonta aos tempos em que as ruas não eram asfaltadas e o uso de galochas era indispensável. Ao visitar outras pessoas, esperava-se que os convidados tirassem as galochas para evitar sujar a casa. “Chatos de galocha” seriam, então, aqueles visitantes inconvenientes que, ignorando essa etiqueta, entravam com galochas cheias de lama, espalhando sujeira e desconforto por onde passavam. Essa imagem acabou sendo associada a pessoas incômodas e desajeitadas.
A expressão “chorar as pitangas” está relacionada ao ato de se lamentar ou se queixar de algo. Segundo Câmara Cascudo, em seu livro Locuções Tradicionais do Brasil, a origem do termo remonta à expressão portuguesa “chorar lágrimas de sangue”. A pitanga, fruto nativo da Mata Atlântica brasileira, tem a forma de uma lágrima e uma coloração vermelha que evoca o sangue, tornando-se uma metáfora para o sofrimento e a lamentação. Assim, “chorar as pitangas” passou a ser usada para descrever o ato de exagerar nas lamentações ou de se queixar de maneira excessiva.
José Antonio Tenuta, ou Zeca Tenuta, imortalizou de forma brilhante as nuances de Cuiabá em sua célebre obra Cuiabá da Tchapa e da Cruz, na qual se detém nas figuras mais emblemáticas da cidade. Entre essas personagens, destaca-se a de Pó Dexá, uma figura singular que transitava pelas ruas da velha Cuiabá, imerso em uma rotina simples e pragmática, típica dos que buscavam o sustento nas pequenas lides cotidianas. Pó Dexá, homem de boa índole, dedicava-se ao comércio ambulante de bilhetes de loteria e outros biscates, e sua presença, discreta porém constante, não chamava muita atenção à primeira vista. Contudo, foi quando se tornou porteiro de um dos mais notórios cabarés da cidade, o Nove de Julho, que seu nome ficou definitivamente gravado na memória coletiva.
O Nove de Julho era mais que uma boate; era um refúgio para os amantes da boemia cuiabana, um templo de excessos onde o tempo parecia se distorcer. Abriu suas portas ao longo de toda a jornada, oferecendo abrigo e diversão àqueles que buscavam refúgio nos seus ritmos frenéticos e nas suas luzes baixas. O fluxo constante de frequentadores, muitos deles oriundos dos recantos mais humildes da cidade, criava uma atmosfera de cumplicidade e mistério. As mulheres, cujas histórias e vidas se entrelaçavam com o lugar, já conheciam o ritmo da casa: os minutos pareciam se arrastar até o retorno dos frequentadores assíduos, e cada hora era uma nova promessa de histórias e encontros.
Pó Dexá, no entanto, não era um simples porteiro. Sua inteligência sutil e seu jeitinho habilidoso para lidar com as situações cotidianas logo lhe conferiram uma certa notoriedade. Quando um cliente se aproximava, aparentemente sem recursos para pagar pela entrada, o bom porteiro, sem perder a compostura, soltava sempre a mesma resposta: “Pó dexá”, liberando a passagem sem hesitação. Sua frase, simples na forma mas carregada de uma conotação profunda de aceitação e generosidade, tornava-se um código, uma espécie de senha que permitia ao pobre coitado, ou mesmo ao cliente mais avesso ao pagamento, adentrar no recinto sem maiores complicações.
Tal comportamento, claro, não passou despercebido pelos donos da casa, que logo perceberam o método não muito ortodoxo de Pó Dexá. Sua demissão foi inevitável, mas o personagem, com sua simpatia disfarçada de despretensão, deixou uma marca indelével nas memórias dos que frequentavam o Nove de Julho. Sua figura, como a de muitos outros ícones da cidade, representa a espinha dorsal de uma Cuiabá mais simples, mais humana e, por vezes, mais cúmplice das fraquezas e fraudes cotidianas que permeiam a vida na cidade.
Igreja Nossa Senhora Auxiliadora
A Igreja Nossa Senhora Auxiliadora foi construída por decisão do padre Francisco de Aquino Correa, em 1912, por ocasião da necessidade de um ambiente maior para a vivencia religiosa dos alunos e dos Salesianos do antigo Liceu São Gonçalo. A pedra fundamental foi colocada no dia 24 de maio do mesmo ano. Em 1919, no bicentenário de Cuiabá e do jubileu de prata da chegada dos Salesianos, foi coroada a imagem da Virgem Auxiliadora por dom Angelo Scarpardini.
Em 1929, sob tijolos maciços, foi inaugurada sem estar finalizada, mas ganhou a torre somente nos anos 1959 e 60 pelo arquiteto Vicente Calábria, cujo cume possui saída para um pequeno terraço de onde se pode contemplar o panorama da Prainha, do Rio Cuiabá e do Centro histórico da cidade.
No final da década de 1980 houve reforma interna do Santuário, com o objetivo de adaptá-lo às reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II. No período de 2008 a 2012, finalmente foi realizada a reforma total por iniciativa do Padre Wagner Galvão.
O Templo é o único da cidade construído em estilo neogótico que possui abóbadas de aresta. A Igreja tornou-se um grande Centro de peregrinações marianas, para ela acorrendo os fiéis nas rezas do terço, na coroação de Nossa Senhora e nas solenidades marcadamente marianas.
Photographias é um projeto cultural de pesquisa da central de documentação de dados do Almanaque Cuyabá. A iniciativa visa resgatar imagens históricas da cidade homônima. As ilustrações selecionadas nesta Categoria são, em sua grande maioria, de domínio público; outras, creditadas à fotógrafos, editores, colecionadores, instituições e a plataformas digitais congêneres.
Escutar o violino do avô Romeu e as músicas da “Banda do Inácio eram como promessa de fé. Com 15 anos, Lucialdo já dedilhava bem o violão, mas também aprendeu a tocar guitarra ao som das lições do professor Neurozito, época que foi escoteiro. Iniciou a carreira artística no Sesc.
Tornou-se cantor, compositor e quando ninguém acreditava no rasqueado cuiabano, hasteou essa bandeira de luta sempre reverenciando a nossa cultura em suas letras com o vozeirão inigualável. É reconhecido como o ‘Rei do Rasqueado’.
É um dos pioneiros em levar o rasqueado a tocar nas rádios como a música “Caximbocó, Cuiabá Cuiabá”, que foi a vencedora do concurso “A Música Cara de Cuiabá”, promovido pela TV Centro América.
Várias composições foram feitas ao lado do grande companheiro e músico Dílson de Oliveira, além de poder contar com as amigas Vera e Zuleika em eventos tradicionais da cidade.
Atuou como ator da novela Ana Raio e Zé Trovão, exibida pela TV Manchete mostrando a força do rasqueado da nossa terra. Como produtor, descobriu grandes talentos cuiabanos como Pescuma, Henrique e Claudinho, Gilmar Fonseca, João Eloy, Juarez Silva, Monize Costa entre outros. Foi vencedor do concurso “A música de Mato Grosso”, promovido na época pelo governo do Estado, com a música “Hêi Mato Grosso”.
