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Almanaque Cuyabá

Almanaque Cuyabá

O Almanaque Cuyabá é um verdadeiro armazém da memória cuiabana, capaz de promover uma viagem pela história em temas como música, artes, literatura, dramaturgia, fatos inusitados e curiosidades de Mato Grosso. Marcam presença as personalidades que moldaram a cara da cultura local.

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Lavapés: a fonte oculta e as raízes vivas de Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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Os escritores José Pedro Rodrigues Gonçalves e Moacyr Freitas, com a obra Lavapés, publicada pela editora Entrelinhas, convidam o leitor a revisitar a história de Cuiabá na metade do século XX, evocando a memória de uma fonte de águas cristalinas, soterrada pelo concreto e asfalto da atual Praça Clóvis Cardoso.

Em 1967, o prefeito e os vereadores, em um gesto de aparente modernização, substituíram o nome da antiga Praça 24 de Fevereiro, rebatizando-a oficialmente como Praça Ministro Clóvis Corrêa Cardoso.

Com o passar do tempo, o bairro Lavapés perdeu relevância e caiu no esquecimento, embora sua história revele uma rica teia de significados sociais, culturais, artísticos, esportivos e políticos, como ressalta José Pedro. Até mesmo o nome foi apagado, sendo trocado por Goiabeira, um termo que mal encontra raízes na realidade local.

Lavapés é uma obra que transcende a nostalgia, voltada tanto para antigos moradores, que encontrarão nela um espelho de suas lembranças, quanto para jovens e estudantes interessados em refletir sobre a construção histórica de Cuiabá. Os personagens que animavam o bairro compõem um mosaico vibrante: seo Neco Pernaiada, Zé Cachaço, João Coco, Pouca Ficha, Xá Quime, Dito Gasolina, Marimbondo, Luz Alta, Nélio Pechincha, Vaduca, Mário Bife, Jeripoca, Chambão, Jabuti de Gravata, Dutra Fumo Bom, Leitoa Prenha, Juvenal Capador e outros cuja memória resiste nas páginas do livro.

O bairro Lavapés, nomeado pela fonte que brotava do ventre da terra, não apenas saciava a sede dos viajantes e moradores, mas servia como ritual de purificação: ao lavar os pés, os caminhantes preparavam-se para adentrar Cuiabá de corpo e espírito renovados.

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A arte cuiabana de nomear espaços urbanos

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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A tradição cuiabana de atribuir nomes aos bairros revela mais do que simples geografia; é um testemunho vivo da criatividade e do espírito acolhedor do povo da terra quente. Este hábito, impregnado de senso de humor e um toque de nostalgia, reflete uma conexão singular com o mundo, traduzindo referências nacionais e internacionais em identidade local.

Seja por meio de nomes que evocam a vastidão dos continentes ou a familiaridade das cidades brasileiras, o cuiabano transforma seu território em um mosaico cultural. Não é preciso carimbar passaportes para viajar até o Jardim Califórnia, o Jardim Itália ou mesmo o Jardim Europa. Essas localidades, batizadas com nomes que evocam sonhos e cenários distantes, ancoram o exterior no coração da capital mato-grossense.

No entanto, o apego às raízes nacionais não fica para trás. Florianópolis, Fortaleza e Umuarama são apenas exemplos de como o Brasil se reflete nas ruas de Cuiabá. E quem, ao ouvir falar de Itapuã ou São João Del Rey, não se sente transportado para uma poesia regional cheia de alma e tradição? Até mesmo a vizinha Três Lagoas, lá no Mato Grosso do Sul, encontra um lar entre os bairros cuiabanos.

Essa habilidade em nomear lugares vai além da simples denominação: é um ato de pertencimento e orgulho. Como diria Câmara Cascudo, “o melhor do Brasil é o brasileiro”, e, adaptando suas palavras, o melhor de Cuiabá é o cuiabano, com sua habilidade singular de fundir mundos em um único espaço.

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A rara geografia alfabética dos bairros de Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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A riqueza cultural e linguística presente nos nomes dos bairros de Cuiabá reflete a essência criativa e acolhedora de sua gente. No entanto, ao olharmos para a organização alfabética desses nomes, é curioso perceber como certas letras são menos recorrentes. Em especial, as iniciais X e Z parecem encontrar pouco espaço na cartografia cuiabana, ainda que carreguem significados repletos de ternura e elogios.

Entre os adjetivos e termos iniciados por essas letras, há palavras de profundo apelo afetivo e cultural, como xodó (amor ou paixão), xará (companheiro, amigo) e xonguila (bonito, expressão oriunda de Moçambique). Na esfera do “Z”, temos termos como zeloso e zelante, que evocam cuidado e atenção, além do moderno “zero bala”, uma expressão de novidade e frescor. Contudo, essas inspirações linguísticas ainda não se traduziram amplamente em nomes de bairros de Cuiabá.

Mesmo o bairro popularmente conhecido como “Zé Pinto” na verdade remonta ao nome completo “José Pinto”, sendo o primeiro uma aférese carinhosa e informal. Assim, não há oficialmente regiões urbanas na capital mato-grossense cujos nomes se iniciem com essas letras. Contudo, ao incluir residenciais, comunidades, jardins e assentamentos, as lacunas alfabéticas diminuem. É nessa ampliação que surgem exemplos como os dois residenciais iniciados com “W”: Wantuil de Freitas e Wilza Terezinha Pagot.

Enquanto as iniciais V e W destacam-se pela presença mais robusta, oferecendo 23 exemplos com “V” — como Vila Formosa, Vale do Carumbé, Verdão e Vista Alegre — a letra “W” ainda é discreta, mas revela o caráter acolhedor e criativo da comunidade cuiabana, que honra pessoas e histórias em sua toponímia.

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As águas que moldaram a história e os bairros de Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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A professora e escritora Neila Barreto ressalta em seus escritos a profunda ligação do rio Cuiabá com a história da vila e da cidade que receberam seu nome. Esse rio, tão emblemático para a identidade regional, foi palco de aventuras esplendorosas e de epopeias marcadas por tragédia e grandeza. Contudo, ele também testemunhou os gestos cotidianos, quase imperceptíveis aos olhos de viajantes e desbravadores, que deram vida à história local.

A influência das águas, porém, vai além do rio Cuiabá e alcança as muitas nascentes, córregos, bicas e rios que cruzam a geografia da capital mato-grossense. Estes cursos d’água não apenas sustentaram comunidades inteiras em tempos remotos, mas também desempenharam um papel fundamental na toponímia da cidade. Muitos bairros de Cuiabá devem seus nomes à relação íntima da população com essas águas, que eram essenciais para a subsistência, o transporte e até mesmo a espiritualidade da região.

Bairros como Águaçu, Águas Nascentes, Bordas da Chapada e Jardim Beira-Rio revelam essa conexão com as forças naturais que moldaram o território. Outros, como Cachoeira das Garças, Ribeirão da Ponte, Ribeirão do Lipa e Jardim Manancial, evocam imagens de beleza natural e abundância. Ainda mais poéticos são os nomes como Lagoa Azul, Jardim Aquarius e Poção, que sugerem serenidade e mistério.

Por outro lado, bairros como Lavapés, Porto, Praeiro e Praeirinho resgatam memórias das práticas cotidianas de tempos passados, como o lavar de roupas, a pesca e o comércio ribeirinho. Já denominações como São Gonçalo Beira-Rio, Três Barras e Três Lagoas reforçam a importância das confluências e dos corpos d’água como pontos de referência para as comunidades.

Esses nomes não são meros rótulos geográficos; eles carregam consigo as narrativas de um povo que viveu e se desenvolveu em harmonia com as águas que os rodeavam. Em cada canto da cidade, as águas deixam suas marcas, seja como testemunhas silenciosas de vidas passadas, seja como inspirações vivas para novas histórias. Assim, Cuiabá não apenas cresceu ao longo de seus rios, mas tornou-se uma cidade cuja identidade é intrinsecamente entrelaçada às águas que a nutrem e que dão nome a seus bairros.

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A natureza como inspiração: a origem poética dos bairros de Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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A criatividade e o apreço pela natureza estão profundamente enraizados na forma como os bairros de Cuiabá foram batizados. As primeiras comunidades, em sua conexão com a terra e o ambiente ao redor, encontraram nos elementos da fauna, flora e até nas cores do mundo natural uma fonte inesgotável de inspiração. Cada nome, mais do que um simples título, reflete o espírito de seus pioneiros e o encanto dos lugares que passaram a chamar de lar.

Na região norte, a toponímia dos bairros é uma verdadeira celebração das cores e da beleza natural, irradiando brilho e poesia. Nomes como Vila Rosa, Serra Dourada e Lagoa Azul evocam uma paleta vibrante, onde o rosa, o dourado e o azul se entrelaçam, formando uma atmosfera de encantamento e vivacidade. Esses bairros capturam, de forma poética, a variedade de cores e a vitalidade da região.

A serenidade também encontra seu lugar na escolha de nomes como Colina Verde e Barreiro Branco, que invocam imagens de paisagens tranquilas e puras, onde o verde da vegetação e o branco da terra se destacam, simbolizando a paz e a harmonia com a natureza.

Complementando essa riqueza de tonalidades, surgem referências ao ouro, em bairros como Ouro Fino e Morada do Ouro, que não só lembram o brilho da mineração, mas também sugerem uma prosperidade que transborda de suas raízes históricas. O ouro, com seu caráter precioso e duradouro, reflete a busca incessante pela riqueza, tanto material quanto cultural, que sempre fez parte da história e do crescimento da cidade.

Assim, a região norte de Cuiabá se revela como um mosaico de cores e histórias, onde a natureza e a prosperidade se entrelaçam para formar uma identidade única e vibrante.

Na região leste, a toponímia dos bairros reflete a profunda relação entre a cidade e a natureza, expressa através de árvores e animais que, ao longo do tempo, habitaram e ainda habitam a região. O nome Barbado é uma homenagem ao peixe típico das águas locais, cuja presença era abundante nos rios e córregos da região. Já Cachoeira das Garças e Recanto da Seriema celebram a beleza e a riqueza da fauna aviária, com a imagem das graciosas garças e das elegantes seriema, aves que compõem o cenário natural que fascinou os primeiros moradores.

Recanto dos Pássaros amplia essa homenagem ao reino das aves, oferecendo um tributo à diversidade alada que enriquecia a vida ao redor. Mas, talvez, o bairro que carrega consigo a história mais singular seja o Lixeira. Apesar de seu nome incomum, Lixeira é um bairro impregnado de uma história marcada pela transformação e pela resiliência dos seus habitantes, que foram capazes de reverter as dificuldades e impulsionar o desenvolvimento local. Curiosamente, Lixeira também é o nome de uma árvore nativa tricentenária de Cuiabá, um símbolo vivo da força da natureza, da permanência e da capacidade de adaptação. Essa árvore, que resistiu ao passar dos séculos, é um reflexo da própria história do bairro — um testemunho de que, assim como a flora, as comunidades de Cuiabá também têm a força e a perseverança para florescer, independentemente dos desafios que surgem ao longo do tempo.

Dessa maneira, a região leste não só conserva o legado da fauna e flora locais, mas também perpetua histórias de resiliência e transformação, mostrando que, mesmo nos nomes mais inusitados, reside uma profunda conexão com a natureza e a história de Cuiabá.

Na região oeste, a predominância do termo “jardim” confere aos bairros uma aura de frescor e fertilidade, evocando paisagens de verdes exuberantes e espaços de abundância natural. Nomes como Jardim Araçá, Jardim Flamboyant e Jardim Primavera celebram a diversidade botânica, homenageando espécies que, com suas cores e formas, enriquecem o imaginário local e a conexão da comunidade com a natureza que os cerca.

Bairros como Jardim Beira Rio e Jardim Cuiabá reforçam a ligação íntima da região com os cursos d’água que não só moldaram a geografia da cidade, mas também a história e a identidade cultural de Cuiabá. Esses nomes refletem a vitalidade dos rios e córregos que permeiam a cidade, essenciais para o desenvolvimento e a vida cotidiana de seus habitantes.

Além disso, denominações como Jardim Novo Colorado, Jardim Santa Amália e Jardim Ubatã completam essa homenagem à natureza, traduzindo o equilíbrio delicado entre o crescimento urbano e a preservação das características naturais da região. Esses bairros são um testemunho da capacidade de Cuiabá em conciliar modernidade e tradição, criando espaços urbanos que continuam a inspirar a comunidade cuiabana a valorizar sua rica herança ambiental.

Assim, a região oeste se apresenta como um verdadeiro refúgio verde, onde a serenidade dos jardins se mistura ao pulsar da cidade, criando um ambiente que celebra tanto a natureza quanto o desenvolvimento humano de forma harmônica e sustentável.

Na região sul, a harmonia entre cores, fauna e flora confere uma beleza singular à toponímia local. Bairros como Jardim Gramado e Tijucal destacam-se pela forte conexão com a natureza — sendo Tijucal uma referência aos terrenos de brejo e à vegetação exuberante que outrora marcavam a paisagem da região.

Contudo, é nesta região que a “categoria parque” brilha com maior intensidade, traduzindo o ideal de tranquilidade, espaço verde e convivência com a natureza. Exemplos como Parque Atalaia, Parque Cuiabá, Parque Geórgia e Parque Humaitá representam o equilíbrio entre urbanização e a preservação de áreas verdes. A diversidade temática é ampliada por outros nomes significativos, como Parque Mariana, Parque Nova Esperança e os bairros com referências à flora regional, como Pequizeiro e Aricá.

Entre os destaques está o icônico Parque Residencial Coxipó, um nome que carrega não apenas o simbolismo da integração entre o crescimento urbano e a preservação das raízes naturais da região, mas também uma conexão histórica profunda com os primeiros habitantes da região. O termo “Coxipó” tem suas origens nos índios pioneiros coxiponés, que habitavam essas terras antes da chegada dos colonizadores. A inclusão desse nome não só resgata a memória indígena, como também reforça o vínculo entre a cultura local e a natureza que ainda caracteriza a área.

Essas denominações são expressões do imaginário coletivo e do carinho dos cuiabanos por sua terra. Cada nome carrega histórias de um passado que valoriza a convivência harmoniosa com a natureza, ao mesmo tempo em que projeta um futuro em que a cidade e o ambiente permanecem entrelaçados. Assim, os bairros de Cuiabá tornam-se verdadeiros testemunhos poéticos de sua rica e vibrante relação com o mundo natural.

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Na ausência de um nome, que seja apelido mesmo!

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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Em Cuiabá, a nomenclatura de alguns bairros revela não apenas a história do desenvolvimento urbano, mas também o impacto de movimentos sociais e decisões comunitárias que ajudaram a moldar a cidade. Entre os exemplos mais emblemáticos estão os bairros CPAs 2, 3 e 4, que adotaram uma sigla que, à primeira vista, poderia sugerir um conceito habitacional. No entanto, CPA significa Centro Político e Administrativo, uma denominação originada antes da construção dos núcleos residenciais. O projeto inicial da área visava abrigar não apenas moradias, mas também instituir um novo centro administrativo para a cidade, reforçando a ideia de modernização e expansão do município.

O bairro CPA 1, por sua vez, possui um nome oficial distinto: Morada da Serra. Essa denominação foi escolhida por meio de um plebiscito, um processo democrático conduzido pelo então presidente da associação de moradores, Alinor Assumpção Silva, logo após a entrega das primeiras casas construídas pela extinta Cohab, entre 1979 e 1980. O nome Morada da Serra foi uma escolha que refletia o desejo de integrar a nova comunidade à paisagem local e fortalecer o vínculo com as características naturais da região. O plebiscito, realizado na época, contou com grande participação popular e evidenciou a força da comunidade na definição de sua identidade.

O conjunto habitacional, conhecido como Grande Morada da Serra (composto pelos bairros CPA 1, 2, 3 e 4), continua a ser o mais populoso de Cuiabá, destacando-se como um dos maiores núcleos habitacionais da América Latina. Sua importância vai além do número de moradores, pois representa um marco no crescimento urbano de Cuiabá, refletindo a transformação da cidade em um centro de atração de novos habitantes, impulsionada por uma grande demanda por moradia popular.

Para esclarecer eventuais dúvidas, é importante destacar que o conjunto de bairros conhecidos como CPAs (CPA 1, 2, 3 e 4) é popularmente chamado de Grande Morada da Serra. No entanto, ao somarmos esses bairros aos outros 72 existentes na região, chega-se ao que convencionalmente é denominado Grande CPA. Dessa forma, o termo Grande CPA abrange uma área ainda mais ampla, que vai além da sigla originalmente utilizada para designar o Núcleo Habitacional. Esta denominação foi ampliada para refletir o crescimento e a integração dessa região, que passou a ocupar um papel significativo no contexto urbano de Cuiabá.

Com uma população que supera as 400.000 pessoas, Grande Morada da Serra desempenha um papel vital na dinâmica social e econômica da capital mato-grossense. Seguem-se, em termos populacionais, os bairros Pedra 90, Alvorada e Dom Aquino, que também apresentam uma concentração significativa de moradores. Juntas, essas quatro comunidades têm uma população superior à de várias cidades do estado, como Tangará da Serra, a quinta maior cidade de Mato Grosso, que conta com 105.711 habitantes. Esse fenômeno demográfico ilustra a relevância dessas áreas não só para a cidade, mas para o estado como um todo, pois os bairros contribuem significativamente para a economia local e para o fortalecimento da identidade cuiabana.

Além disso, a Grande Morada da Serra tem sido palco de uma convivência plural, onde diferentes culturas, histórias e origens se encontram, criando um ambiente vibrante de trocas sociais. A força dessa comunidade é um reflexo das lutas históricas por moradia e da capacidade de adaptação diante dos desafios urbanos. Ao longo das décadas, o bairro se transformou, acompanhando o ritmo de uma Cuiabá que, embora ainda mantenha traços de sua tradição, busca incessantemente a modernização e a expansão. Hoje, o complexo habitacional é um símbolo de resistência, crescimento e, sobretudo, de resiliência, tendo se consolidado como uma peça fundamental na história da capital de Mato Grosso.

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A geologia como fonte de inspiração para os nomes dos bairros Cuiabanos

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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Cuiabá, cidade com raízes profundas na geologia e na história de Mato Grosso, está inserida em uma região rica em rochas metamórficas, entre elas os filitos, micaxistos, quartzitos e calcários, que, ao longo dos séculos, definiram o perfil de sua paisagem e a vida de seus habitantes. Esse conjunto de formações rochosas, que é chamado de “Grupo Cuiabá”, não apenas marca o terreno da capital mato-grossense, mas também se reflete nas histórias e nas tradições dos bairros da cidade.

A influência do solo na nomenclatura dos bairros remonta aos tempos antigos, quando a relação com o território era quase visceral. Os nomes dados pelos primeiros habitantes da cidade eram uma resposta direta ao que viam, sentiam e experimentavam no ambiente que os rodeava.

Por exemplo, a poeira que se erguia da areia fininha e escaldante nas proximidades da Igreja São Benedito, na antiga lateral que dava acesso à Avenida Coronel Escolástico, tornou-se uma característica marcante. Era dali que a poeira se alçava ao vento, criando uma atmosfera quase desértica nas ruas estreitas e quentes da cidade nascente. Foi essa característica, com o tempo, que inspirou o nome do bairro Areão, uma homenagem direta à areia que parecia não dar trégua.

O solo, de um modo geral, parecia influenciar tudo à sua volta, desde o nome dos bairros até a própria dinâmica de seus habitantes. O bairro Pedregal, que inicialmente se chamava Barro Duro, é um exemplo claro disso. A abundância de pedras e o barro firme deram origem a um nome que evocava as dificuldades do terreno e, ao mesmo tempo, a força da terra que o sustentava. Esse nome, passado de geração em geração, preserva a memória do local, onde a natureza do solo foi fundamental para sua identificação e origem.

Outro bairro que carrega uma forte relação com a geologia local é o Três Pedras, cuja denominação remonta a um conjunto de pedras características que emergiam do solo, servindo de referência para os moradores da região. Mais que um simples nome, a escolha do nome refletia a presença do relevo na formação da identidade comunitária.

Além disso, a cor da terra, com suas diferentes tonalidades, também desempenhou papel crucial na criação de outros nomes. O bairro rural Terra Vermelha, como o próprio nome sugere, reflete a tonalidade avermelhada do solo, que se destaca nas paisagens locais e que, com o tempo, foi incorporada ao imaginário coletivo da cidade. Outro exemplo está no bairro Barreiro Branco, que evoca a cor clara da terra, característica de sua região.

Esses nomes, simples à primeira vista, são ricos em história e simbolismo, e falam da conexão profunda entre a cidade e o território que a originou. Eles nos lembram que, antes de qualquer outra coisa, Cuiabá é um produto de sua geologia, de seu solo e da maneira como seus habitantes, ao longo dos tempos, souberam dar nome e vida a cada canto de sua terra.

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Os primeiros passos do desenvolvimento urbano de Cuiabá

by Almanaque Cuyabá 13 de julho de 2021
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Em 1721, o sorocabano Miguel Sutil de Oliveira, ao descobrir uma promissora jazida de ouro nas proximidades de sua roça, entre o Morro da Luz e o Rio Cuiabá, deu início a um marco decisivo para o destino da região. Sua descoberta transformou a paisagem local e foi o catalisador para a transferência do núcleo inicial da cidade de Cuiabá, que até então se localizava na região do Coxipó do Ouro, para o novo território, mais seguro e protegido, que viria a ser denominado Lavras de Sutil. Essa mudança não foi apenas uma questão de localização estratégica, mas um reflexo das necessidades de proteção contra os ataques de tribos nativas, que eram frequentes na região, principalmente em áreas mais expostas.

À medida que o ouro atraía mais pessoas para a região, o novo núcleo urbano começou a se formar, com as primeiras ruas e pontos de encontro surgindo de forma orgânica. A partir da região da Praça da Mandioca — um ponto de convergência vital para o comércio local — a cidade foi se expandindo, com seus limites se estendendo até as imediações da atual Catedral Metropolitana, centro de fervor religioso e das atividades cívicas. Este pequeno núcleo, inicialmente focado nas necessidades imediatas de lavradores e garimpeiros, logo se viu interligado por uma rede de ruas e becos que permitiam a circulação e o escoamento da produção local.

As ruas de Cima, do Meio e de Baixo, que ainda hoje preservam um pouco da configuração original da cidade, representavam a divisão das áreas urbanas conforme a altitude e a proximidade do centro. Entre elas, o Beco do Candeeiro emergiu como o ponto de encontro mais simbólico da cidade, onde lavradores e garimpeiros, com suas roupas sujas de terra e de ouro, se reuniam para trocar informações, mercadorias e histórias. Era ali, no coração da cidade nascente, que se dava a verdadeira vida social e econômica de Cuiabá.

A partir dessa agitação econômica, com a mineração como principal motor, surgiram as primeiras manifestações urbanas, que refletiam uma cidade em constante mutação. Pequenas lojas, tabernas, igrejas e casas começaram a surgir ao longo dessas vias, e o comércio entre as diferentes classes sociais se intensificou. A fé católica, sempre presente no cotidiano, ganhava expressão com a construção das primeiras capelas e o fortalecimento do culto ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá, que viria a se tornar o padroeiro da cidade.

Assim, a fundação de Cuiabá, a partir das Lavras de Sutil, não apenas se consolidou como um centro de extração de riquezas, mas também como um ponto de convergência de diferentes culturas e classes sociais. O desenvolvimento urbano e econômico da cidade começou ali, entre o suor dos garimpeiros e as preces dos devotos, em um cenário que mesclava a busca pelo ouro e a criação de uma identidade cultural e religiosa própria. Esses primeiros passos, que marcam o início do crescimento da cidade, são a base sobre a qual Cuiabá se ergueu, com sua história marcada pela busca incessante por recursos, pelo esforço coletivo e pela crença inabalável de sua gente.

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